[[legacy_image_126526]] Não é de hoje que se discute a vulnerabilidade das cidades litorâneas frente às mudanças climáticas que se avizinham cada vez mais rápidas. O tema voltou à pauta este mês em função da COP 26, a conferência sobre o clima que ocorreu em Glasgow, na Escócia, e que tinha como foco o alinhamento dos países em torno de garantias de redução das emissões de gases de efeito estufa, aqueles que estão fazendo a temperatura dos oceanos subir, com consequências catastróficas para todo o Planeta. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Muitos ainda consideram que esse é um debate distante, protagonizado pelos ‘ecochatos’, pelos ‘xiitas’, pelas ‘Gretas Thunberg’ que querem preservar tartarugas e peixes exóticos, ou pelos acadêmicos e teóricos do meio ambiente. Um engano retumbante que pode condenar a vida em equilíbrio das futuras gerações, aumentar a desigualdade social e tornar a economia ainda mais fragilizada ou restritiva. Não faltam estudos a apontar para esse cenário, basta apenas que se olhe para eles com lentes cristalinas. Neste final de semana, um novo relatório da Climate Central, organização não-governamental que analisa e informa sobre a ciência do clima, divulgou estudo em que aponta Porto Alegre, Santos, Salvador, Recife, Fortaleza e São Luís como as cidades mais ameaçadas pela subida do nível do mar. O trabalho teve como base estudo publicado em outubro na Environmental Research Letters, que destacou os locais mais sensíveis a sofrerem ‘inundações sem precedentes’ caso não sejam adotadas políticas e medidas urgentes de mitigação. Ontem, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), divulgou que, dos 21 complexos portuários brasileiros, o Porto de Santos é um dos primeiros no ranking das instalações que podem ser impactadas por mudanças climáticas. Adversidades como vendavais e ressacas podem paralisar as operações, fechar acessos terrestres e jogar ao mar pilhas de contêineres. Sempre é possível adaptar as instalações portuárias, fortificar o cais e ajustar tamanho e segurança dos navios para suportar o impacto desses episódios. Também se pode aumentar o seguro das operações e garantir que exportadores e importadores não fiquem no prejuízo, mas é inegável que essas providências resolvem a ponta do problema, mas não sua causa. Estudos existem à exaustão, sob todos os ângulos que se queira analisar a questão. Santos já começou a fazer sua lição de casa, com providências iniciais na Ponta da Praia para mitigar a força das ondas sobre as estruturas urbanas. Mas é pouco se se pensar no tamanho do desafio que é estruturar toda uma cidade para o que vem pela frente. A sociedade também tem sua responsabilidade. Cada um precisa se apropriar de seu papel nesse nicho em que inação e lentidão custarão muito caro a todos.