[[legacy_image_334238]] Não repercutem bem para a Baixada Santista as imagens que ontem circularam por todo o País, mostrando conflito entre policiais e pessoas de uma comunidade na periferia de São Vicente, em meio a ações que visam rastrear o paradeiro de criminosos envolvidos com a morte de três agentes de segurança, e também combater novos possíveis focos de violência. Desde o final de janeiro, a região figura no topo do noticiário que envolve a segurança pública, condição adquirida após a primeira morte de policial militar, no dia 26, em Cubatão. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! E se não repercutem bem para a fotografia da região, menos ainda para o turismo, ainda mais em uma época promissora para todo o trade que vive de períodos como o Carnaval para vender melhor. A consequência mais recente desse borrão na fotografia da região foi a suspensão, pela Prefeitura de São Vicente, de todos os eventos carnavalescos e de bandas que ocorreriam a partir de hoje. Medida preventiva e acertada, em face do risco que poderia representar a aglomeração de pessoas pelos bairros. É possível imaginar o prejuízo a vendedores ambulantes e comércio, que já contavam com esse momento na receita do mês. Há pontos importantes a serem colocados em discussão para muito além do reforço policial, do uso proporcional da força por parte dos agentes de polícia, a agilidade das investigações e a punição aos que cometem crimes. Importante destacar que esses fatos não são episódicos e, sim, parte integrante de uma linha do tempo que nunca deixou de existir. A Operação Escudo, desencadeada no ano passado, já tinha como propósito desbaratar o crime organizado que vinha fazendo vítimas nas corporações e entre a população civil. Outro ponto a destacar é que, por parte do Estado, tem havido um esforço no combate às facções criminosas, com reforço de efetivo, compra de armas, equipamentos e veículos. Não fosse esse incremento e certamente a ascensão da violência urbana já teria tomado outra proporção. Não é de hoje que se atribui parte dessa escalada à existência de membros empoderados das facções criminosas na região, que aqui estão porque o poderio econômico está atrelado ao tráfico de drogas, especialmente ao embarque pelo Porto de Santos para outros países da Europa e Ásia. Este jornal já publicou dezenas de reportagens com especialistas que explicam as evidências de que, enquanto não forem desbaratadas as organizações e excluído o Porto dessa rota, as operações policiais e episódios como os que estão ocorrendo serão cíclicos, mas constantes. O que Estado, União e prefeituras têm feito ainda será insuficiente se as raízes do crime não forem atingidas, e elas estão fortemente relacionadas ao tráfico, ao crescimento das facções e, eventualmente, com a conivência e leniência de autoridades. Este momento mais crítico dos atos criminosos vai passar, assim como ocorreu anteriormente, mas eles voltarão se um forte trabalho de inteligência não for desencadeado. É urgente que assim seja.