(Agência Brasil) A decisão do governo de não adotar o horário de verão neste ano gera dúvidas se foi realmente acertada. Com uma seca de dimensão nacional, ainda que amenizada por chuvas recentes, não se pode brincar, pois ainda não está claro se esse período foi superado. Isso porque o sistema elétrico nacional depende tanto dos reservatórios da hidrelétricas do Sul-Sudeste estabilizados como dos níveis dos rios da região amazônica, que precisam subir para que as usinas a fio d’água possam operar. Esta última modalidade foi adotada durante o Governo Dilma Rousseff, dispensando grandes lagos para preservar florestas e reservas indígenas. Fontes limpas como eólica e fotovoltaica atingiram importante participação na matriz energética, mas também estão sujeitas à baixa geração, como ventos fracos e dias nublados. A preocupação é com o fim da tarde, quando o consumo aumenta e os custos sobem. Por isso, o horário de verão, segundo especialistas, atrasaria em duas horas a pressão sobre a matriz energética. Como parte do público não é favorável à medida, principalmente quem levanta muito cedo para trabalhar, sua adoção agita o debate político. Após muitos anos em vigor no verão, o horário especial foi extinto em 2019 pelo Governo Bolsonaro. Agora, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ao anunciar que não o adotaria agora, talvez em 2025, disse que essa decisão é de Estado e que não se trata de uma “política que tem a cara de um governo”. Silveira alegou que agiu de forma técnica. Entretanto, no mês passado, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) defendeu o horário de verão e estimou uma economia de R\$ 400 milhões, lembrando que, se os reservatórios tiverem que ser preservados para não esvaziarem, será preciso acionar as usinas térmicas, mais poluentes e caras – especificamente, o custo dessa medida é estimado entre R\$ 244 milhões e R\$ 356 milhões. É possível que o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) tenha obtido dados favoráveis do clima, mas uma economia desse porte não pode ser ignorada. Portanto, ainda que muitos se incomodem com o horário especial, é importante dar prioridade ao aspecto da segurança energética, reduzindo o uso dos reservatórios para que estes possam encher para períodos de seca ao longo do próximo ano. O alerta é de que a chamada escassez hídrica tem sido mais intensa e se repetido desde meados da década passada.