[[legacy_image_214891]] A saúde pública é um problema antigo do Brasil, muito citado nas promessas dos políticos ao longo das décadas, mas ainda deficiente e que deixa os mais pobres expostos a doenças que poderiam ser evitadas e muitas famílias com sua renda comprometida, pois são obrigadas a procurar o atendimento privado em busca de qualidade. Apesar de se pagar impostos para esse fim, quem tem condições financeiras desembolsa recursos próprios por serviços que a Constituição Federal classifica como universais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A pandemia deu ao Sistema Único de Saúde (SUS) o protagonismo por centralizar o combate à covid-19, mas evidenciou sua carência: a falta de dinheiro. O SUS apenas não colapsou porque as restrições ao convívio social atrasaram programas preventivos e tratamentos que não eram urgentes, o que gerou demanda reprimida. Some-se a isso a baixa cobertura vacinal de inúmeras doenças, o que sinaliza tendência de disseminação de enfermidades que antes estavam controladas, como sarampo e poliomielite. Neste caso, não se trata apenas de investimento público, mas de informação e convencimento. Muitos se acomodaram com o baixo registro de doentes de algumas infecções que se pensava erradicadas, ao mesmo tempo em que a estupidez disseminada na internet convenceu outros tantos de que as vacinas não funcionam ou são perigosas. Toda uma longa campanha preventiva baseada em imunizantes terá que ser retomada, um trabalho já foi feito e exigiu décadas de dedicação e planejamento do Governo em todo o País. O segmento privado também precisa ser acompanhado, pois seu eventual revés por dificuldades financeiras não interessa ao Governo, pois isso imporia uma migração de pacientes de volta ao atendimento público, sobrecarregando rapidamente este sistema. Os questionamentos de usuários sobre as coberturas persistem, com as empresas alegando aumento de custos, um conflito que atingiu seu máximo nível com a queda do rol taxativo (lista de serviços que os planos estavam obrigados a cumprir, dispensando o que lá não constava), uma reivindicação dos usuários que teve o apoio do Congresso. Entre custos da saúde pública, dos planos e dos hospitais filantrópicos, que há décadas se queixam com razão da tabela defasada dos procedimentos do SUS, há o próprio impacto dos avanços tecnológicos da Medicina. As pesquisas para novas terapias e desenvolvimento de medicamentos estão cada vez mais sofisticadas e caras e, além de exigirem mais recursos do setor público e mesmo do segmentos privados para contemplá-las, há um questionamento ético – seria justo deixar um paciente pobre sem um atendimento moderno porque não pode pagar por ele ou pelo Governo não dispô-lo por falta de verba? Claro que não. Portanto, os desafios da saúde são imensos, exigem soluções de longo prazo coordenadas entre os governos e com canais de discussão com centros de pesquisa e as empresas.