O atacante Luighi foi alvo de racismo por parte de um torcedor (Cesar Greco/Palmeiras/by Canon) Não foi o primeiro e certamente não será o último episódio em que um jogador brasileiro é vítima de racismo fora do País, por torcedor de time adversário, que se utiliza de palavras, gestos e, nos casos mais extremos, agressões que vão além do que se pode chamar de civilização. Mundo afora, o futebol tem produzido cenas tristes e revoltantes que há muito tempo já deveriam ter sido punidas com mais rigor. O caso recente envolvendo o jogador Luighi, do Palmeiras, é mais um triste exemplo de como o preconceito ainda persiste nos estádios e na sociedade. É imperativo que clubes, torcedores e autoridades busquem caminhos mais efetivos e rigorosos para erradicar de vez esse comportamento dentro das quatro linhas, seja dentro ou fora do Brasil. O episódio com o jogador Luighi não é isolado. Nos últimos anos, diversos jogadores foram alvos de injúrias raciais durante partidas. Em um jogo da Libertadores de 2014, o volante Tinga, então no Cruzeiro, foi vítima de racismo durante uma partida contra o Real Garcilaso, no Peru. A torcida peruana hostilizou o jogador ao imitar sons de macaco quando ele tocava na bola. Em 2021, Celsinho, jogador do Londrina, foi ofendido por torcedores do Brusque durante um jogo. O clube catarinense perdeu 3 pontos na Série B do Campeonato Brasileiro. Na vitória do Brasil sobre a Tunísia, em amistoso na França, uma banana foi atirada em campo após um gol do atacante Richarlison, em 2022. De 2021 até aqui, Vinicius Júnior já foi vítima de racismo diversas vezes. Esses casos evidenciam uma problemática que vai além das quatro linhas. O racismo estrutural presente na sociedade se reflete nos estádios, espaços que deveriam ser de celebração e respeito. A impunidade e a falta de medidas efetivas contribuem para a perpetuação desse comportamento abominável. É urgente que os clubes brasileiros adotem uma postura firme e conjunta contra o racismo. Não bastam campanhas pontuais ou notas de repúdio; é necessário implementar ações concretas que punam severamente os autores desses atos e eduquem torcedores e jogadores sobre a importância do respeito e da igualdade. Medidas como a identificação e banimento definitivo de torcedores racistas dos estádios, multas significativas aos clubes cujas torcidas praticam atos discriminatórios e a perda de pontos em campeonatos são algumas das ações que podem ser adotadas. Além disso, é fundamental investir em programas educativos que promovam a diversidade e combatam o preconceito desde as categorias de base até os profissionais. A união entre os clubes é essencial para que essas medidas sejam eficazes. Ao agirem de forma conjunta, as instituições esportivas demonstram que não há espaço para o racismo no futebol brasileiro. Essa união também serve de exemplo para a sociedade, mostrando que a luta contra o preconceito, mais de 100 anos depois, ainda não acabou.