[[legacy_image_243808]] O Banco Central, ao anunciar a taxa básica, a Selic, na última quarta-feira, foi muito duro – na prática bateu de frente com o governo – e bem claro sobre a tendência para os juros. Além de provavelmente não caírem neste ano, poderão até subir e permanecerem elevados em 2024. A Selic, atualmente em 13,75% ao ano, já esteve em 2% em janeiro de 2021 e em 10,75% em fevereiro de 2022. No atual patamar, ela inibe consumo e investimentos porque no mercado financeiro é possível ser remunerado sem esforço e risco. Por outro lado, o crédito fica mais caro e a dívida pública aumenta. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Como o plano do Governo Lula é puxar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) pela injeção de dinheiro na economia, esse estratégia corre sério risco de dar errado. Por isso, não há outra saída razoável ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad – ele precisa cortar despesas, melhorar a arrecadação de impostos e divulgar logo o substituto do teto de gastos, chamado agora de arcabouço fiscal. Trata-se de uma âncora indicando até onde o Governo Lula poderá ir com as contas federais. O discurso populista do presidente Lula é de que esse rol de medidas apenas serve para impedir a oferta de serviços aos mais pobres. Para garantir essas benesses de imediato, basta jorrar verba pública via programas de transferência de renda, dar empréstimos a juros mais baixos pelos bancos estatais, aumentar o salário mínimo, corrigir a tabela do Imposto de Renda e reajustar o salário dos servidores. Porém, no médio prazo vem uma crise chamada desequilíbrio fiscal, quando o governo continuamente sobe as despesas acima do que arrecada. Esse quadro tende a vir simultaneamente com inflação, pois a injeção de capitais força a alta dos preços dos produtos e dos serviços, em uma onda inflacionária progressiva. O próprio Lula já disse que ele fez ajuste fiscal em seu primeiro mandato, portanto, sabe que não terá como escapar disso de novo. A dúvida é: com qual dosagem? O petista, que teve muita sorte em seus dois primeiros mandatos, poderá tê-la de novo. O petróleo se encontra em queda porque as economias ricas estão quase parando, o País deve contar com uma excelente safra, a China, maior cliente do Brasil, está reabrindo a economia mais rapidamente, e há muito ingresso de moeda estrangeira no País. Os juros mais altos aqui atraem investidores estrangeiros, que também entram para comprar ações de grandes companhias na bolsa, como bancos, Petrobras e Vale. São papéis baratos perante os pares internacionais e fáceis de serem vendidos caso esse capital externo precise ir embora. O reflexo disso é que as exportações poderão render menos, pois o dólar ficará mais barato devido à oferta. Por outro lado, isso funcionaria a favor da queda da inflação. Por isso, é muito importante que o Governo Lula saiba dosar a vontade de gastar com as oportunidades que a economia mundial poderá oferecer especificamente ao Brasil.