Nas últimas semanas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu declarações inflamadas, fez ameaças e garantiu o fim próximo do conflito com o Irã. O que se tem concreto é uma incapacidade de fechar acordo com Teerã. Também há a impressão de que a máquina de guerra de Trump foi surpreendida pela capacidade iraniana de reagir na batalha e na manutenção do regime brutal, mesmo após tantas perdas com bombardeios e a morte dos líderes teocratas e militares. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Não bastasse isso, o americano fez ataques ao papa Leão 14 e à premiê italiana Giorgia Meloni, que defendeu o pontífice e não quis entrar na confusão do Oriente Médio. Trump também brigou com seus aliados mais fanáticos do movimento Make America Great Again (Maga), insatisfeito com o mergulho do país em um conflito, contrariando promessa de campanha. Ele ainda retomou ataques ao presidente do Federal Reserve (Banco Central), Jerome Powell, que não dá a mínima à cobrança para derrubar os juros. E ainda caiu o secretário da Marinha, John Phelan, em pleno bloqueio naval ao Irã. O motivo não seria a guerra, mas brigas relacionadas à construção de uma nova frota. Os passos de Trump, marcados pela instabilidade e falas que não se confirmam, causam incertezas pelo mundo, incluindo no Brasil. O gargalo está no Estreito de Ormuz, que o Irã descobriu como seu grande trunfo, um presente de Trump ao governo iraniano. Com o fechamento da passagem, o petróleo subiu de US\$ 60 para US\$ 100 neste ano. Além do barril mais caro, há o risco de não ter combustível, o que já começa a parar as companhias aéreas e pode prejudicar a produção de alimentos do Brasil, que precisa receber navios com insumos dos fertilizantes. Os EUA responderam com o cerco aos portos iranianos, como poder de pressão para fazer o Irã aceitar um acordo, abrindo mão do programa nuclear e deixando o Hezbollah exposto às bombas israelenses. Mas o Irã, cujo regime há quase meio século é marcado pelo extremismo, vê a negociação oferecida por Trump como uma rendição. O regime iraniano está com suas forças destroçadas e não se sabe, passada a guerra, se haveria coesão interna para resistir à pressão política e à insatisfação popular com um caos econômico. Mas há a percepção de que Teerã tem condições de estender o conflito, ganhando tempo para barganhar. O risco de um conflito demorado preocupa Trump, que tem rejeição nos EUA acima de 60%. Essa impopularidade se deve à irritação com a instabilidade política e inflação causada pela guerra, que ele gostaria de encerrar para se concentrar nas eleições parlamentares de meio mandato, em 3 de novembro. O republicano já disse que terá sérios problemas caso o controle da Câmara ou do Senado passe aos democratas. Suas idas e vindas e anúncios que não se confirmam minaram a credibilidade no presidente da maior potência militar e econômica.