(Unsplash) A garantia do presidente eleito Donald Trump de impor tarifas contra os três maiores parceiros comerciais dos EUA – México, China e Canadá – e a resistência dos franceses ao acordo Mercosul-União Europeia simbolizam a fase difícil que o comércio internacional vai enfrentar. Esse movimento tem relação com a direita, avessa às relações externas e à globalização, e à pressão de grupos barulhentos agora mais ouvidos por extremistas, que buscam repercussão nas redes sociais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O Brasil, ao longo dos anos, tem atuado com eficiência na diplomacia comercial, lembrando que o protecionismo não é uma novidade. Há décadas os países mais pobres e em desenvolvimento enfrentam restrições nos mercados mais ricos, em especial o europeu. Porém, com gestos como o de Trump, essas políticas ganham aval e têm suporte até do eleitor moderado. Trump disse que vai taxar os importados mexicanos e canadenses em 25% e os chineses inicialmente em 10%. Sobre a China não há surpresas, pois foi Trump que inaugurou a rixa comercial com Pequim, o que foi ampliado pelo Governo Biden. Isso envolve vedar o acesso da China às tecnologias mais sofisticadas e que possam dar supremacia militar. Além disso, a China tem muito excedente de produção devido à queda do consumo interno e às barreiras externas. Por isso, o país derrubou os preços de seu aço e carros elétricos, gerando queixas internacionais. A União Europeia, por exemplo, pretende taxar esses automóveis. O problema é que Trump fala claramente em usar as tarifas para questões nada comerciais. Ele disse que poderá taxar produtos mexicanos se o país vizinho não colaborar com a política americana imigratória. O republicano também afirmou que vai encarecer os importados chineses se Pequim não combater o fentanil, que alimenta epidemia de drogas nos EUA. Mas essa estratégia pode minar o próprio Governo Trump. Taxar produtos e insumos gera inflação, pois há repasse ao consumidor, o que tende a manter os juros altos, desacelerando e até gerando recessão nos EUA. Essa ideia ainda parece euforia de vitória nas eleições, mas com possibilidade de, se aplicada, causar estragos. No caso do Brasil x França, o agronegócio brasileiro foi alvo de grosserias e mentiras no Parlamento em Paris e nos atos dos agricultores franceses, e até por parte de executivos de suas multinacionais, de que os alimentos do Mercosul não seguem regras sanitárias e podem “envenenar” as crianças. Direita, esquerda, o presidente Emmanuel Macron e algumas empresas, que tentam lacrar com as organizações, atacaram o Mercosul. O objetivo é melar a assinatura próxima do acordo de livre-comércio, que mexe com interesses dos avessos à concorrência, que dá bons preços ao consumidor e premia a eficiência. O presidente Lula indica que a assinatura do tratado está garantida, mas barganhas de última hora ou adiamento não estão descartados.