(Unsplash) Recurso natural finito, embora em grande abundância no Brasil, a água não é percebida pelos cidadãos como um bem diretamente relacionado ao modo de vida de uma sociedade, à forma como as cidades se constroem e funcionam e como fator preponderante para a economia e a saúde pública. Há pouca publicidade de trabalhos acadêmicos que atrelam a falta de potabilidade da água a doenças comuns, como gastroenterites, dermatites e outras patologias comumente atendidas em postos e unidades básicas de saúde. Também pouco se associa a falta de drenagem das cidades e os consequentes alagamentos nos dias de fortes chuvas ao prejuízo que representam aos mananciais que servem a uma região. Por todo esse cenário, as atenções se voltam à fala do recém-empossado presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista, o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (MDB). Na posse realizada segunda-feira para um mandato de dois anos, Mourão disse que “a preservação passa para uma outra vertente, que é o processo educacional, da consciência de não jogar o seu lixo em qualquer lugar”, Sobre a macrodrenagem das cidades, destacou: “Fazer canais e não controlá-los vai continuar permitindo esgoto clandestino. Também defendo voltar a operação de busca ativa de ligações clandestinas”. Ao menos nas falas, o novo presidente demonstra ter a real noção sobre o que é preciso cuidar para que a qualidade das águas que servem aos quase 2 milhões de moradores da região seja a mais adequada possível. Em recente fórum promovido pelo Grupo Tribuna, Mourão também se mostrou disposto a levar a discussão sobre a macrodrenagem das cidades de forma coletiva, já que todas as administrações municipais enfrentam problemas não só em período de chuva, mas também quando a tábua das marés está desfavorável, cenário típico de uma região que fica no mesmo nível do mar. A visão metropolitana das águas é fundamental porque cidade nenhuma tem autosuficiência no abastecimento. A bacia regional, formada por rios como Cubatão, Itanhaém, Mogi, Jurubatuba, Itapanhaú e Piaçabuçu, abastece de forma integrada todos os nove municípios, e todos enfrentam basicamente os mesmos problemas para além da questão da macrodrenagem, como ocupações irregulares, esgoto clandestino e extravazamento das redes de água pluvial e de efluentes. Entender esse mecanismo e as interfaces de um município nos demais é o primeiro passo para a construção de uma política pública coletiva, que preserve não só a bacia hidrográfica da região, mas também a saúde pública e de seus ecossistemas típicos, como Mata Atlântica, manguezais e restinga. Mapear os impactos em todos esses biomas e identificar os pontos de atenção permitirá definir prioridades e alocar recursos para ações de preservação e recuperação dos corpos d’água. Ainda há tempo para fazer esse movimento e acompanhar seus resultados.