(FreePik) Assim como em outros setores da economia, o mercado imobiliário tem seus gargalos. Não são problemas novos, mas que voltaram a ficar em evidência, como os recursos das linhas de crédito dependentes de duas fontes principais, a caderneta de poupança e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O segundo entrave é a taxa de juros, que nos momentos de elevação, como agora, pode inviabilizar as prestações de longo prazo dos mutuários. No fim das contas, a tendência é que menos brasileiros adquiram a casa própria, sonho de consumo que tem participação importante no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e na geração de emprego com carteira assinada pela construção civil. Do lado das fontes de recursos do financiamento habitacional, assunto já abordado por A Tribuna, a Caixa se deparou com uma demanda muito acima do esperado, o que é positivo para o País – o problema é que o banco já emprestou neste ano quase todo seu orçamento voltado à moradia. A parte mais atingida foi a abastecida pela caderneta de poupança, que é voltada à classe média. A solução foi aumentar a entrada para 30% do valor do imóvel no caso da correção pela tabela SAC (quando as parcelas caem ao longo do ano) e 50% com a Price (prestações fixas). Isso obriga o candidato a mutuário a reservar muitos recursos próprios, tirando mais famílias da fila do crédito habitacional da Caixa. O grande suspense do crédito imobiliário é o impacto que a subida da taxa Selic terá nesse segmento. O financiamento da casa própria não é atingido tão diretamente como outros setores, pois a poupança e o FGTS remuneram seus investidores com juros na prática prefixados. No caso de outras fontes, como recursos do próprio banco ou de produtos do mercado, como Letras do Crédito Imobiliário (LCI), os efeitos são mais impactantes. Além disso, o mutuário sofrerá com a Selic de outras formas, como a retração da economia, que faz pensar duas vezes sobre compromissos de longo prazo. Nesta semana, o site do jornal O Estado de S. Paulo publicou que os bancos privados começam a subir os juros da habitação, com o Itaú confirmando que já o fez. Mas a Caixa é quem domina o mercado, com 70% de participação, enquanto as outras instituições em geral atendem clientes de relacionamento (são correntistas mais antigos). Porém, no contexto do setor imobiliário, não podem ser ignorados. O ideal é que mais bancos atuem com financiamento da casa própria nas várias faixas de renda, com as contratações não tão concentradas da Caixa, pois seu orçamento quase esgotado indica que não tem condições de suprir sozinha o País. Mas com juros altos e uma economia que fica de mau humor tão frequentemente, não há como expandir o crédito imobiliário. Uma atuação firme do governo com seus gastos e apoiando o combate do Banco Central à inflação são iniciativas fundamentais para a habitação avançar continuamente.