(Imagem Ilustrativa/Pixabay) O levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre Ensino Superior mostrou uma diferença muito acentuada entre os santistas com essa formação, de 36,68% do total de seus habitantes, o sexto percentual mais elevado do País, e o da média da Baixada Santista, de 19,61%, conforme A Tribuna publicou ontem. Por cidades da região, essa distância fica maior ainda, considerando que Praia Grande, com 17,6%, é a melhor colocada depois de Santos, e Cubatão, em último, com 10%. Aliás, o desempenho dos municípios da Baixada, sem considerar Santos, ficou aquém até da média estadual, de 21,54%. A diferença entre Santos e as oito cidades da Baixada pode ser explicada pela renda média muito mais alta dos santistas e também pela oferta de cursos, concentrada em Santos. Entretanto, os motivos, com base nesses dados do IBGE, extraídos do Censo 2022, precisam ser estudados profundamente para que as autoridades de ensino municipais e federais e as instituições superiores públicas e privadas possam atender essa demanda. Esses dados, inclusive, são importantes para o Governo Federal e pesquisadores independentes analisarem os impactos dos programas e iniciativas que buscam ampliar o acesso ao ensino superior. Entre eles, o ProUni (bolsa federal para estudar no setor privado), o Enem (exame nacional), o sistema de cotas, o Fies (crédito educativo) e, para os próximos anos, o Pé-de-Meia, lançado recentemente. Este último, aliás, talvez seja a mais assertiva de todas essas iniciativas, ao combater a evasão no Ensino Médio e estimula prestar o Enem. Mesmo com essas iniciativas, não há dúvida de que a melhora do acesso ao ensino superior exige ampliar principalmente a distribuição de renda no País e desenvolver os municípios em geral. Trata-se de algo muito difícil, pois não depende apenas da estabilidade do País, mas também do desenvolvimento de vocações econômicas regionais, o que envolve mudanças tecnológicas, participação no comércio exterior e infraestrutura para trocas com as outras partes do Brasil. Mesmo assim, os jovens precisam ter uma formação básica de qualidade, condição mínima para se chegar à qualificação, lembrando que o ensino técnico pode ser mais atraente para muitos estudantes do que o superior. Há ainda outro fator estrutural relacionado à formação básica, que é o efeito em X para o acesso ao Ensino Superior. Isso se dá quando os estudantes do Ensino Médio público não conseguem ingressar nas universidades estatais, as de melhor qualidade e mais disputadas, e vão cursar faculdades privadas, geralmente à noite por precisarem trabalhar para pagar as mensalidades. No outro sentido, os jovens que saem das escolas particulares conquistam com mais facilidade as vagas de instituições conceituadas, como USP, Unicamp e Unesp. Isso ocorre há muitas décadas, problema apenas suavizado com medidas como o ProUni e cotas, cuja solução definitiva depende de um bom ensino básico gratuito.