Para amenizar as perdas, foi definida uma programação para ressarcir as geradoras (Marcello Casal Jr./Agência Brasil) O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) cortou a geração de energia eólica e solar em partes do País no último domingo. Foi a segunda vez que essa medida se deu em 2026, conforme o jornal Valor Econômico. A interrupção é um plano emergencial para aplicar o curtailment, desligamento forçado para evitar apagões quando há muita produção e baixo consumo – quando há esse descasamento, o equilíbrio do sistema elétrico fica ameaçado. Segundo especialistas, o problema está associado aos grandes investimentos feitos nas novas fontes limpas, principalmente no Nordeste, que não foram acompanhados da expansão das redes de transmissão dessa energia para o Sudeste, onde há mais consumidores. Além disso, em todo o País, há muita produção ao meio-dia, horário do pico da luz solar, enquanto o consumo aumenta somente no fim da tarde. Esse problema tem causado prejuízos bilionários às empresas que aportaram muitos recursos quando houve uma febre de projetos para esse segmento. Dessa forma, lamenta-se que uma riqueza do País, ainda com muito potencial para atrair negócios multiplicadores de recursos, como data centers, seja desperdiçada agora, exigindo soluções urgentes pelo governo. Para amenizar as perdas, foi definida uma programação para ressarcir as geradoras, com valor a ser abatido das dívidas que essas companhias têm no sistema nacional. Como quem obviamente sustenta essa cadeia em funcionamento é o consumidor, presume-se que ele acabará pagando essa conta, aliás já embutida com impostos e estímulos fiscais acrescentados ao longo dos anos pelo Congresso. Uma das formas de corrigir o problema da sobrecarga é armazenar o excedente em baterias de grande porte, que reinjetam essa sobra quando há demanda no mercado consumidor. Esta solução é muito recente e, por exemplo, a espanhola Iberdrola investiu em uma unidade desse tipo nos Estados Unidos, com funcionamento previsto para o próximo ano. Já o Ministério de Minas e Energia pretende fazer o primeiro leilão do segmento de baterias em dezembro, com expectativa de atrair R\$ 8 bilhões em investimentos, conforme o jornal Valor. A Weg, empresa catarinense especializada em motores elétricos, já começou a expandir suas instalações para esse fim. Por enquanto, quem realmente está pronto para atender a esse novo mercado é a China, que já lidera mundialmente a produção de equipamentos de todo tipo para as fontes limpas. Por se tratar de novidade na economia que veio para enfrentar as fontes fósseis, altamente poluidoras, as matrizes limpas geram inúmeras oportunidades no Brasil. Entretanto, por ser recente, é previsível que problemas apareçam. Dessa forma, o governo precisa acelerar os trâmites necessários e ouvir as companhias que desenvolvem os diversos segmentos energéticos que surgiram. A prioridade deve ser sempre atender o consumidor e agir para que ele tenha os menores custos possíveis.