Sete semanas de guerra no Oriente Médio foram suficientes para o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduzir a previsão de crescimento da economia mundial. Mas a intensidade da desacelera-ção dependerá da continuidade do conflito e do preço do petróleo em patamares elevados, ontem a US\$ 94,93, alta de 56% sobre o início de janeiro. O Brasil é a grata surpresa do levantamento, cuja expectativa do FMI foi melhorada levemente por ser exportador de petróleo e utilizar muita energia renovável, sofrendo menos com a alta dos combustíveis fósseis. Porém, 2026 e 2027 não serão nada fáceis, com risco de recessão global, queda do comércio e inflação. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Em janeiro, o FMI projetava para o Brasil, um crescimento de 1,6%, muito fraco em relação aos emergentes e pouco melhor que o dos países ricos, que geralmente têm expansão comedida. Com a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, o FMI subiu a aposta para o Brasil a 1,9%, enquanto a de 2027 recuou de 2,3% para 2%. Para 2027, o FMI vê uma menor demanda do comércio global e fertilizantes mais caros prejudicando o Brasil. Porém, para 2027, o FMI também espera uma piora das condições financeiras. Os economistas em geral falam em rombo das contas públicas, reflexo dos gastos atuais sem uma austeridade à altura. O problema é atribuído pelo mercado ao Governo Lula, mas já há uma expectativa dos analistas de que, mesmo com a vitória da oposição, não haverá uma política contundente de cortes. Isso porque a disputa eleitoral aguerrida com resultado equilibrado entre esquerda e direita deve manter a demanda por dinheiro público, desde programas sociais até a pressão do centrão, se esse bloco conseguir se manter poderoso como agora. As dificuldades financeiras também poderão ter origem externa em 2027, caso o dólar volte a subir, o petróleo permaneça em US\$ 100 e os juros dos países ricos aumentem, reduzindo a atratividade da taxa Selic para estrangeiros. Menos por problemas externos e mais pela falta de ajuste das contas públicas, o Brasil continua mantendo um crescimento medíocre. O FMI também está pessimista com Índia e China, mas pelo menos crescerão mais, respectivamente, 6,5% e 4,4% neste ano e 6,5% e 4% em 2027. Até os EUA, que são uma economia madura, avançarão mais que o Brasil (2,3% e 2,1%). Os discursos do FMI, do mercado e dos executivos das grandes empresas mudaram drasticamente de crescimento puxado pela inteligência artificial para risco de recessão motivado pelo velho problema geopolítico do petróleo. Nota-se que havia um otimismo exagerado com o aumento de riqueza focado na tecnologia. Agora se vê que variáveis da economia convencional continuam pesando, como guerras e crises políticas, lembrando que a confusão atual resulta da gestão insana de Donald Trump. Falta ainda saber se o meio ambiente, com previsão de El Niño mais rigoroso nos próximos meses, tensionará ainda mais a crise mundial.