O principal e mais caro programa do Governo Federal para combater a pandemia do coronavírus termina este mês, o auxílio emergencial, pago a 66 milhões de pessoas desde abril deste ano. Se considerado o total de pessoas de uma mesma família que acabaram se beneficiando dos valores pagos pelo Governo, o auxílio pode ter alcançado 122 milhões de brasileiros. Na Baixada Santista, de acordo com dados do Ministério da Cidadania, ao menos 566 mil pessoas foram beneficiadas, injetando mais de R\$ 3 bilhões na economia local. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços! Embora pressionado, o presidente Jair Bolsonaro já anunciou que o benefício não será prorrogado em 2021, mesmo com a pandemia sem tempo para acabar. Segundo o presidente e sua equipe econômica, não há recursos disponíveis no orçamento para dar continuidade a esses pagamentos, feitos a pessoas em situação de vulnerabilidade social, agravada com os impactos da covid-19 sobre a economia. O que o Governo estuda, isto sim, é algum tipo de auxílio como a ampliação do Bolsa Família e políticas de micro-crédito para incentivar a geração de empregos. O fim do auxílio emergencial tem ao menos dois impactos diretos. O primeiro diz respeito às 566 mil famílias da região que se beneficiaram desses valores pelos cinco meses em que foram pagos. Sem esse auxílio e com a pandemia ainda em curso, é razoável prever que 2021 comece com mais famílias em situação de vulnerabilidade social, para as quais será preciso um olhar atento por parte das prefeituras. O outro impacto é na economia local. Em cinco meses, estima-se que R\$ 3 bilhões tenham sido injetados na região. Economistas que analisaram os dados recentes e positivos sobre a geração de empregos na Baixada Santista no mês de novembro atribuem parte desse saldo à circulação desses recursos, imprescindíveis na circulação de bens e no consumo de produtos e serviços. Importante destacar que, diferentemente de outras regiões, a Baixada Santista ainda deve colher os bons frutos da geração de empregos nos primeiros meses de 2021, fato bastante atrelado à temporada de verão. O turismo, ainda que seja impactado pelo recuo no ânimo de muitos veranistas temerosos do contágio, sempre representa um pilar importante para a economia. De qualquer forma, caso não haja alternativas financeiras viáveis por parte do Governo Federal, ou que elas não cheguem imediatamente após o fim do auxílio emergencial, é importante que as autoridades locais estejam cientes desse quadro e busquem alternativas. A imunização pela vacina será o melhor dos mundos não só para frear a curva ascendente de mortes pela doença, como também injetar ânimo na economia do País. Enquanto ela não chega, porém, planejar ações que acolham essas famílias vulneráveis deve fazer parte da lição de casa dos próximos governantes, em conjunto com os quatro deputados estaduais e os dois federais eleitos pela região.