(FreePik) Promessas de políticos são, na maioria das ocasiões, vazias. Poucas se tornam realidade e, com o passar do tempo, ninguém mais lembra do que foi anunciado com entusiasmo na última campanha. Natural, pois, na era da informação, qualquer um está sujeito a se perder em meio a tantas notícias. Contudo, o papel da imprensa é cobrar quem está no poder e não deixar discursos e contradições caírem no esquecimento. Então candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva demonstrava indignação com a falta de transparência do governo de Jair Bolsonaro. Os sigilos de 100 anos sobre visitas ao Palácio do Planalto, documentos oriundos do combate à covid-19 e outros temas relevantes não podiam continuar, afirmava Lula, para prometer: se retornasse ao posto que já havia ocupado duas vezes, não só acabaria com os segredos produzidos pelo antecessor como evitaria criar os seus. Infelizmente, trata-se de mais um caso de palavras ao vento. O Ministério das Relações Exteriores se recusou a fornecer ao site Metrópoles, por meio da Lei de Acesso à Informação, a lista de hóspedes recebidos em residências oficiais do País ao longo do atual governo. As residências já abrigaram a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e artistas e aliados de primeira hora do poder. Para justificar a recusa, o Itamaraty alegou que os pedidos de informação eram “desproporcionais” e “desarrazoados”, exigindo trabalho que poderia “sobrecarregar o órgão destinatário, desestabilizar suas operações e desorganizar suas funções”. Contudo, a solicitação se refere a uma informação que já existe nos postos no exterior e que, em tese, não exigiria nenhum esforço extraordinário para que fosse fornecida. Ao hospedar autoridades e pessoas ligadas a ela, as residências oficiais não estão extrapolando. E é exatamente por isso que chama a atenção a falta de transparência. Por que o contribuinte, que em última instância sustenta todo o aparato governamental pagando impostos, não pode saber como seu dinheiro está sendo empregado? Os cidadãos têm o direito de serem informados sobre quem esteve em postos oficiais e qual o motivo, de forma simples e direta. Quando opta pelo caminho da opacidade, o Ministério das Relações Exteriores abre margem para se imaginar que desvios de finalidade teriam sido cometidos. O sigilo em questão tem pouca relevância diante de tantas outras questões que, de fato, definem os rumos do País, especialmente aquelas ligadas à política e à economia. Ainda assim, serve de parâmetro para mostrar como os governos se comportam diante de assuntos que julgam delicados e que podem jogar contra em campanhas eleitorais futuras. Por falar nisso, mais um pleito presidencial se avizinha e o que não faltarão são promessas. Diante delas, e ao escolher em quem vai votar, o eleitor fará uma opção mais segura se lembrar o que foi dito antes e cobrar assim que o vencedor colocar a faixa no peito.