Imagem Ilustrativa (Pixabay) Apesar do juros altos, da carga tributária, da inflação e do endividamento público centralizarem os debates sobre os problemas do País, outro indicador econômico merece receber mais atenção por sinalizar sérias deficiências. Trata-se da taxa de investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), que historicamente é baixa e está entre as menores do mundo, equivalendo a menos da metade do que a de outros emergentes. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), em reportagem do jornal Valor, o Brasil deverá atingir 15,9% nesse quesito em 2024, integrando o “top 20” dos piores entre os 170 países analisados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A taxa de investimento, que é a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), reflete os recursos destinados aos projetos voltados à capacidade produtiva, como aquisição de máquinas e equipamentos. No caso do Brasil, essa conta, na proporção sobre o PIB, chegou ao maior nível justamente no início da série histórica levantada pelo FMI, em 2010 e 2011, com 21,8% nos dois anos, permanecendo acima a dos 20% até 2014. Mas o índice despencou até 14,6% em 2017, se recuperou em 2021 com 19,5%, entrando em rota de queda até agora. De acordo com economistas, trata-se de uma ressaca após duas recessões fortes, no Governo Dilma Rousseff e na pandemia. Agora, o investimento não consegue avançar porque o PIB cresce pouco, ao mesmo tempo em que o PIB não acelera porque essa mesma taxa de investimento continua fraca. O FMI também dividiu as economias em grupos ao levantar a taxa de investimento em relação ao PIB, com a média mundial ficando em 26,5%, os países avançados com 22,3%, a América Latina e Caribe (sem o Brasil) com 19,5% e emergentes e em desenvolvimento, com 32,3%. A China, de acordo com a empresa de dados Ceic, chegou a impressionantes 42% em 2023. O problema do Brasil é que os juros altos encarecem também o crédito para a produção, reduzindo o índice de investimento. Porém, há mais fatores que pesam para o mau desempenho do País em FBCF por PIB, como carga tributária, despesas públicas sempre elevadas (o que exige juros altos para financiar o endividamento público) e até a cobrança de ICMS sobre importações. Isso porque muitos setores precisam comprar máquinas de outros países, o que amplia o custo, por exemplo, de abrir uma fábrica no País. Os analistas consideram um passo muito importante a reforma tributária, que na verdade é uma simplificação, pois não haverá redução de carga. Apenas a possibilidade de enxergar o custo dos impostos e mais facilidade para recolhê-los ao governo já deverão garantir algum salto de eficiência à economia. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirma ter uma agenda de microrreformas a fazer. O que está correto. Mas tudo precisa ser realizado a um ritmo mais acelerado, sem buscar receitas ultrapassadas que protegem apenas alguns setores, mas não estimulam o todo.