[[legacy_image_334418]] Os analistas do mercado, que erraram com suas previsões no ano passado, para 2024 esperam uma expansão modesta de 1,6%, depois do Produto Interno Bruto (PIB) provavelmente ter encerrado 2023 em 3% (o resultado definitivo ainda não saiu). Essa expectativa morna, explicam os economistas, deve-se ao risco do impacto do clima na agricultura. De abril para julho, o enfraquecimento do El Niño poderá causar seca em algumas regiões e chuva em outras. Haveria ainda a subida do petróleo em caso de piora da guerra no Oriente Médio (talvez não, pois o Hamas pediu negociação com Israel). Ou a China e os EUA desaceleraram – como o Brasil é um grande produtor de petróleo, minérios e agropecuários, sofreria com esses importadores. Por enquanto, os EUA vão bem, mas isso pode reaquecer a inflação, adiando a queda dos juros por lá. Porém, as apostas de crescimento pífio são questionáveis. O jornal Valor publicou que a receita de impostos federais avançou forte em janeiro, faltando saber se é uma tendência (reflexo de um PIB mais robusto) ou se foi algo pontual. A tributação dos fundos exclusivos (da alta renda), que entrava no caixa do governo apenas no resgate (o que poderia levar muitos anos), desde dezembro tem gerado R\$ 4 bilhões mensais aos cofres da União. Por outro lado, afirma o Valor, esse maior ganho com impostos prejudica a equipe econômica em tentar reverter benefícios fiscais, como o da desoneração da folha. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Mas há ainda a economia real. Se setores da indústria, como as montadoras, anunciam investimentos bilionários, é porque estão municiados de estudos sobre algum aquecimento do mercado consumidor. Além disso, a queda do desemprego para a faixa dos 7%, redução da taxa Selic em 1,5 ponto desde agosto, o que barateia o crédito e alivia o saldo devedor, e o Desenrola, que renegocia dívidas atrasadas, tendem a beneficiar a baixa renda. Em relação a esse público, que conta com o empurrão de programas sociais, as construtoras e os bancos têm apresentado, respectivamente, projetos e linhas específicos. Por outro lado, as ações dos grupos varejistas estão em recuperação devido à conjuntura de inflação comportada e massa de clientes que aos poucos volta às compras. Na semana passada, a última pesquisa dos serviços apontou um crescimento positivo, mas ainda muito tímido, abaixo de 1% ao mês, contudo, saindo da fase negativa. Tecnologia da informação e transporte de cargas, puxado pelo agronegócio, cresceram com mais força. Outro segmento, o de turismo, indica que vai garantir bons resultados. Além de gerar empregos para a baixa renda, as atividades turísticas estão florescendo em alguns destinos pouco conhecidos, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC). São boas notícias que não devem gerar um comodismo sobre a necessidade de cortar gastos públicos ou enfrentar a inflação, mas que permitem ao empresariado planejar com um pouco mais de audácia.