[[legacy_image_209222]] O fim da fase de subida dos juros pelo Banco Central será mais sentido no começo do próximo mandato presencial, afinal os economistas afirmam que as decisões da autoridade monetária levam em média seis meses para fazerem efeito no crédito. Portanto, as condições atuais, de impacto da redução de impostos nos combustíveis e inflação em alimentos, devem continuar pelo menos no curto prazo. Este momento de moderado otimismo é positivo. Se a condição atual fosse mais pessimista, de que está tudo piorando, não haveria motivo para esperar mais consumo e crédito. Porém, é preciso ter os pés no chão em relação a 2023. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Basta ler as explicações dos diretores do Banco Central para manter a taxa Selic em 13,75% ao ano na última quarta-feira. A notícia festejada foi de que ela não vai mais subir – desde que a inflação não se reaqueça, segundo escreveu o BC – por outro lado, a decisão foi de mantê-la em 13,75% por alguns meses. Isso não é nada bom, lembrando que a Selic estava em apenas 2% ao ano em janeiro do ano passado e em 6,25% em setembro de 2021. Por isso, o vencedor das eleições terá que fazer a arrumação de casa seguindo as regras austeras de não aumentar os gastos, melhorar a eficiência da gestão pública e aumentar a arrecadação. Para melhorar a receita, há dois meios – subir os impostos, o que é inaceitável, mas esse risco existe, ou a economia crescer, um desafio constante no Brasil de baixa competitividade. Portanto, o discurso dos candidatos não bate muito com as condições esperadas para o próximo ano, ressaltando que as promessas de campanha são para quatro anos. Entretanto, o eleitor vai cobrar de imediato medidas de enfrentamento, principalmente o Auxílio Brasil, que terá que ser recriado e ganhar uma fonte extra para permanecer em R\$ 600 – esse aumento custará R\$ 52 bilhões. É importante também notar o fator externo, de combate à inflação nas economias ricas. Também na última quarta-feira, o banco central americano aumentou sua taxa em 0,75 ponto percentual. Enquanto o Brasil entra na segunda metade da sua política monetária restritiva (paralisa a alta com vistas à redução), os EUA praticamente estão na fase inicial de seu programa. O impacto causado no Brasil pelos americanos é de subida do câmbio e desvalorização das commodities (petróleo, minério de ferro e agropecuários mais baratos), porque a recessão no Hemisfério Norte é dada como certa. O Brasil, segundo esse quadro, vai exportar menos. Porém, a tarefa mais difícil é interna. Apesar do mercado já estar animado com uma melhora da economia, o mundo real dos trabalhadores é de preços altos nos supermercados, com novos empregos de salários médios mais baixos, sinal de que ainda há muita oferta de mão de obra. As dificuldades continuam, mas o clima está bem melhor. Basta o próximo Governo agir de forma sustentável para o País seguir seu rumo adiante.