[[legacy_image_134258]] Nos últimos tempos, especialmente nos quase dois anos de pandemia, as novidades na área tecnológica ganharam mais espaço no noticiário, dentro das corporações, em cursos, palestras e capacitações. Fala-se em transformação digital como quem fala em ir às compras no shopping. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Profissionais que estão no mercado há mais tempo precisam estar em permanente estado de alerta, buscando se qualificar com as novas ferramentas, aplicativos e sistemas que automatizam parte de suas tarefas. É natural que assim seja e deva ser. Em tese, tarefas rotineiras ou mecânicas, que demandam tempo do trabalhador e nem sempre têm a garantia de acerto, podem e devem ser desempenhadas por robôs, programados para a execução a qualquer tempo. Esse cenário de ponta deve ficar ainda mais intenso com a chegada do 5G ao Brasil, programada de forma escalonada, a partir das capitais, em 2022, e até a totalidade dos municípios brasileiros em cinco anos. A velocidade das transformações, porém, não está sendo acompanhada de forma igual por todas as parcelas da população brasileira, e há um segmento, em especial, que pode ser alijado de forma irreversível da vida dita moderna: os idosos. Não obstante os movimentos que já existem, em especial por parte de organismos e entidades civis, para levar a esse contingente informação e didatismo, ainda é curto o alcance em massa. Não por outro motivo têm sido cada vez mais frequentes os golpes bancários cujas vítimas são os idosos, quer por deslizes corriqueiros que eles próprios cometem ao manobrar senhas e procedimentos nos serviços digitais, quer porque não sabem criar camadas de segurança conforme vão se tornando vulneráveis as travas existentes. Para além da questão financeira, centenas de milhares de idosos perderam acesso aos canais convencionais de serviços, substituídos que foram por algorítimos, mensagens eletrônicas, contas digitais que demandam senhas e QRCodes. As obviedades do universo tecnológico não são obviedades no mesmo nível para todas as camadas sociais. As ferramentas analógicas estão perdendo espaço para as digitais em uma velocidade bastante acelerada, e é preciso admitir que muito aprendizado se deu nas últimas duas ou três décadas: das filas gigantes que se formavam nos bancos nos primeiros dias do mês ao Pix, muitas práticas mudaram e foram incorporadas ao cotidiano da sociedade, mas é preciso compreender que, para as gerações mais antigas, será preciso manter outros canais e conexões, preservando, em muitos serviços, o atendimento humano ou, ao menos, telefônico. Só para citar alguns, operadoras de telefonia móvel e de serviços essenciais são a principal queixa dessa faixa etária. Exclusão digital não diz respeito apenas a quem não tem condição financeira para acessar a tecnologia, mas também aos que a têm, mas não sabem como usufruir dela.