(Fernando Frazão/ Agência Brasil) A aviação regional no Brasil, peça-chave para a conectividade e o desenvolvimento econômico de inúmeras localidades, enfrenta desafios que ameaçam seu crescimento. O setor, que deveria ser um motor para a integração nacional, está sufocado por uma combinação de fatores que tornam sua operação cada vez mais desafiadora. Entre esses fatores, destacam-se o alto custo do combustível, a vulnerabilidade à variação cambial e a crescente judicialização, que impõem um fardo desproporcional às empresas do ramo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O combustível se tornou um grande vilão, e não apenas porque representa boa parte dos custos das aéreas, mas porque nem sempre as cidades menores são dotadas de pontos de abastecimento, o que obriga as aeronaves a voarem com o tanque cheio para a volta, reduzindo sua capacidade operacional. O Brasil, embora seja um grande produtor de petróleo, cobra preços elevados pelo querosene de aviação, tornando a operação de voos curtos em pequenas aeronaves ainda mais custosa. Em muitas rotas, o preço do combustível representa até 50% do custo total. A exposição ao câmbio é outro fator que afeta gravemente o setor. Com a maior parte dos custos, como manutenção e leasing de aeronaves, atrelados ao dólar, as empresas regionais ficam vulneráveis às oscilações cambiais. A volatilidade do real frente ao dólar, agravada por incertezas políticas e econômicas, compromete a previsibilidade financeira necessária para que as companhias possam planejar e expandir suas operações. Além disso, a judicialização tem se tornado uma preocupação crescente. Decisões que envolvem questões como direitos dos passageiros e tarifas aeroportuárias, muitas vezes sem a devida consideração dos impactos econômicos sobre as empresas, geram insegurança jurídica. Isso não apenas desestimula novos investimentos, mas também força as empresas a alocar recursos para litígios ao invés de investir em expansão ou melhoria de serviços. Diante desse cenário, é imperativo que a aviação regional receba um olhar mais atento e cuidadoso por parte do governo. A integração das rotas, essencial para o desenvolvimento econômico e social de muitas regiões do país, precisa de incentivos específicos. A adoção de políticas públicas que estimulem as empresas a voltarem a operar em aeroportos regionais é necessidade urgente. Tais políticas poderiam incluir subsídios para o combustível, redução de tarifas aeroportuárias em regiões menos atendidas e a criação de mecanismos de proteção cambial para as empresas do setor. Além disso, a simplificação dos processos regulatórios e a criação de um ambiente jurídico mais favorável são essenciais para garantir a sustentabilidade das operações. O Brasil, com sua vasta dimensão territorial, depende de uma aviação regional robusta e eficiente. Cabe ao governo criar as condições necessárias para que esse setor não apenas sobreviva, mas prospere, contribuindo para a integração e o desenvolvimento das regiões do País.