[[legacy_image_274313]] “Nós precisamos mudar a indústria automotiva brasileira”. A frase é de Aloízio Mercadante, presidente do BNDES. Durante seminário da Fiesp, em São Paulo, ele falou o óbvio ao dizer que o Brasil tem de provocar uma transformação na sua indústria automotiva para se tornar mais competitivo no mercado internacional. “Não faz sentido o Brasil desonerar importação e taxar produção doméstica. Temos que buscar outro modelo. Quem gera emprego, paga salários e paga impostos não tem nenhum tipo de benefício. E o carro que vem pronto de fora é desonerado”, acrescentou, em referência específica aos modelos elétricos, que ganham cada vez mais espaço nos países desenvolvidos e avançam de maneira mais lenta nas nações em desenvolvimento. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Para sustentar seu raciocínio, Mercadante buscou nos Estados Unidos e em países da União Europeia exemplos. E destacou que o BNDES tem potencial para desempenhar papel fundamental no fomento dessa modernização. “Temos em torno de 520 bancos públicos no mundo, que são responsáveis por 15% do investimento na economia mundial. Os países que têm bancos e entidades de fomento são os que mais cresceram nos últimos tempos”, assinalou o dirigente, que engrossou o coro pela redução da taxa de juros e a pressão sobre o Banco Central. Mercadante comentou que os Estados Unidos já oferecem bônus de US\$ 7 mil para a compra dos carros elétricos produzidos no país. Na Europa, enquanto a Alemanha já vinha praticando juro zero no financiamento do hidrogênio verde, uma das fontes de energia das baterias dos automóveis, a União Europeia criou um banco público apenas para financiar essa rota tecnológica. Entretanto, não faltam críticas às palavras do presidente do BNDES. Em linhas gerais, quem discorda de Mercadante o acusa de promover protecionismo e reserva de mercado. Até imagens dele fiscalizando o equivocado congelamento de preços nos anos 80 foram recuperadas para tirar a credibilidade de quem também um dia foi um crítico do Plano Real, talvez o maior acerto de um governo nos últimos 30 anos. Ainda que possa ter razão em um ponto ou outro, Aloízio Mercante tende a alcançar pouco ou quase nada defendendo a criação de benefícios com ares artificiais para a indústria automotiva, como o programa que vai baratear o preço do carro popular, com descontos de 1,6% a 11,6%. O que a indústria – não só a de automóveis – precisa de verdade é de medidas estruturais que criem condições realmente estimulantes e que venham para ficar. O caráter passageiro e emergencial de muitos dos programas anunciados nos últimos tempos não funcionou, haja vista que o mercado automotivo encolheu a ponto de marcas tradicionais como a Ford terem optado por encerrar a produção por aqui, vendendo apenas veículos importados e de alto padrão atualmente.