O mandato do presidente Jair Bolsonaro está sendo premiado em seu início com condições econômicas que poderão fazer o País crescer por um período duradouro como não se vê há muito tempo. Os juros e a inflação estão em níveis baixos e pelo menos duas reformas, a da Previdência e a tributária, devem sair do papel. Porém, o governo ainda tem muito a fazer para que esses sinais se consolidem e façam a economia avançar e gerar empregos. Por isso, causa estranheza Bolsonaro gastar energia com discussões sem utilidade para colocar o País no rumo certo e também por serem inapropriadas a um presidente da República. Em seus mais recentes pronunciamentos sobre os dados do desmatamento, os governadores do Nordeste e a jornalista Miriam Leitão, ele parece que não age como presidente em tempo integral. Também revela uma desconfiança generalizada nos assessores e que quase todos conspiram contra ele. Além disso, externa informações sem confirmá-las antes e, ao ter que se explicar depois, alega que suas declarações foram deturpadas pela imprensa. Um ocupante do Palácio do Planalto não deve se expor com a intensidade com a qual Bolsonaro vem se sujeitando. Para jornalistas, que terão mais conteúdo para o seu dia de trabalho, e opositores, que não terão muito esforço para atacar o vencedor das eleições, Bolsonaro é o melhor dos mundos. Mas o presidente corre sério risco de gerar animosidades que provoquem derrotas importantes no Congresso. É o caso de afirmar que governadores do Nordeste são paraíbas. O ex-ministro Ciro Gomes, ao se pronunciar sobre o caso Tábata Amaral, lembrou que 25 dos 39 deputados da Bahia deram votos à reforma da Previdência. Se a fala de Bolsonaro tivesse ocorrido há algumas semanas, o placar da votação poderia ter sido não tão favorável ao governo. Bolsonaro também não pode vir a público e colocar em dúvida a idoneidade de um servidor sem antes ter exigido uma apuração. É o caso do presidente do Inpe, Ricardo Galvão, que reagiu à fala do presidente, que havia questionado os dados do desmatamento e de que estão incorretos. Por mais crítica que se faça ao funcionalismo federal, ele é repleto de pessoas capacitadas e dispostas a prestar os melhores serviços e serem fiéis ao Palácio do Planalto. Porém, precisam de segurança para trabalhar e não podem ser surpreendidos a qualquer momento por uma bronca pública sem fundamentação precisa. O presidente ainda conta com um sério problema, que é ser bombardeado por críticas feitas por seu círculo próximo a outros membros do governo. Ao mesmo tempo, são semeadas ideias sobre conspirações que parecem exageradas. A sensação que fica é a de que impera uma grande bagunça em Brasília no Executivo. Por isso, se diz que a oposição não precisa fazer seu trabalho de apontar as falhas do governo.