[[legacy_image_237982]] Bem-sucedida como jogadora de vôlei, tendo representado o Brasil em Olimpíadas e campeonatos mundiais, Ana Moser é a nova ministra do Esporte. Em seu primeiro discurso, ela anunciou que a prioridade será diminuir a desigualdade no acesso à prática esportiva no País, invertendo o foco do setor no alto rendimento dos últimos anos. Trata-se de uma missão necessária, mas difícil de ser colocada em prática. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Para começar, politicamente vale mais a pena apoiar atletas do primeiro escalão por causa da visibilidade. Quando um deles alcança uma medalha em Jogos Olímpicos ou mesmo um título mundial, as impressões digitais do governo acabam aparecendo graças ao aporte de verbas oriundo de loterias e outras fontes de renda. As grandes empresas pensam de maneira semelhante levando em conta a exposição de suas marcas. Quem convive com os atletas que ainda não chegaram ao estrelato sabe o quanto eles sofrem sem patrocínio exatamente por estarem “invisíveis” para o grande público. As novas mídias reduziram esse anonimato, mas, assim como em outros segmentos, elas ainda não têm a credibilidade dos veículos tradicionais. Entretanto, investir na base é o caminho a ser seguido. Não apenas para formar campeões, que têm o papel de servir de exemplo aos mais jovens, mas principalmente cidadãos conscientes. Nesse ponto, a associação com a Educação é fundamental. Na maioria das cidades brasileiras, carentes de praças esportivas adequadas, os primeiros passos em muitas modalidades são dados nas escolas, seja nas aulas de Educação Física, seja em torneios municipais. Ana Moser encara o desafio com predicados. Alinhada às causas progressistas, ela é fundadora do Instituto Esporte e Educação (IEE), ONG criada em 2001 com objetivo de atender crianças e adolescentes com uma metodologia de esporte educacional, além de formar professores. E nessa linha, a ex-jogadora deu um exemplo do que pretende ao dizer que não vai reservar investimentos para os jogos eletrônicos, também conhecidos como esports, por não considerá-los esportes. Tratado sem a devida importância, o Ministério do Esporte foi rebaixado no governo de Jair Bolsonaro, sendo incorporado ao da Cidadania. Durante a campanha eleitoral, Lula assumiu o compromisso de recriar a pasta. Segundo Ana Moser, ela foi procurada pelo petista para fazer uma “revolução” no segmento, atrelando o Esporte à Educação, Saúde e Assistência Social, para que mais pessoas se beneficiem da prática esportiva em todos os sentidos possíveis. Para tanto, será necessário escolher quadros técnicos, o que é sempre um entrave na política. Ainda mais no caso de um governo cujo líder, em que pese o histórico, já deixou claro não haver problema em contentar o maior número possível de aliados com cargos nos diversos escalões governamentais, na chamada frente ampla.