[[legacy_image_258746]] As notícias não têm sido positivas no setor automotivo do Brasil. A contragosto, as montadoras interrompem a produção e dão férias coletivas aos funcionários devido a dificuldades diversas, sendo a principal delas o recuo nas vendas. Do outro lado, o preço dos carros, especialmente o zero-quilômetro, sobe consideravelmente e afasta o consumidor. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entretanto, recente levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) trouxe um sopro de esperança ao segmento. De acordo com a entidade, o País registrou 198,9 mil emplacamentos de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus no mês de março, uma alta de 53% comparado ao mês anterior. Ante o mesmo mês de 2022, o número é ainda superior: 35,5%. O resultado pode ser considerado surpreendente. Afinal, o encarecimento do crédito, que mina o poder de compra da maior parte da população, dificulta os financiamentos, responsáveis por até 70% do total das vendas. O cenário coloca em discussão, mais uma vez, os aumentos da taxa básica de juros promovidos pelo Banco Central desde 2021, que começaram a trazer consequências mais visíveis para a economia. Sob o pretexto de conter a inflação, o Banco Central mantém a Selic a 13,75% ao ano e mostra que, se julgar necessário, pode até elevá-la, conforme relatado na ata da última reunião do Copom. A política monetária comandada por Roberto Campos Neto tem como principal crítico o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado por partidários, analistas econômicos e até alguns empresários de grande porte. Com o custo de produção em elevação também em função das dificuldades logísticas e da falta de matéria-prima durante os últimos anos, as fabricantes de veículos lutam como podem para desenvolver modelos que funcionem com novas matrizes energéticas. Nesse sentido, o carro elétrico puxa a fila. No Brasil, contudo, o caminho a ser percorrido para viabilizar a novidade ainda é muito longo. Se o preço dos modelos convencionais está alto, o dos eletrificados ou dos híbridos – que unem motores elétricos e à combustão – fica ainda mais restrito a uma pequena parcela de compradores. E o problema não deve ser resolvido a curto prazo, uma vez que as montadoras consideram que ainda não receberam os incentivos ideais do governo para aumentar a produção e até baratear o preço. Por aqui, a grande oferta de etanol, um combustível considerado “limpo”, é tida como a melhor resposta no caminho da sustentabilidade e da preservação do meio ambiente No exterior, a realidade se mostra diferente. Sem dispor do etanol, mas com incentivos e um maior poder aquisitivo por parte da população, os países da União Europeia registraram recorde nas vendas. A ponto de, no ano passado, 12,1% dos carros zero-quilômetros vendidos por lá serem elétricos ou híbridos.