(Imagem ilustrativa/Reprodução/Pixabay) Chocam as imagens que viralizaram na internet esta semana, evidenciando uma briga generalizada dentro de duas escolas da região, uma em Santos, outra em Guarujá. Na escola de Santos, da rede estadual, um adolescente é agredido por outros estudantes com chutes e pontapés. Segundo a mãe, o filho já vinha sofrendo investidas físicas e verbais há várias semanas, mas o episódio de segunda-feira foi o mais grave, a ponto da família não mais querer que o estudante volte a frequentar a escola. Em Guarujá, situação semelhante foi vivida por outro adolescente, que troca socos e chutes com um grupo de garotos dentro da própria sala de aula. Imagens que impactam e que fazem crer a todos que as assistem que está bem longe o momento em que a escola voltará a ser o espaço seguro e adequado apenas para a aprendizagem. Para bem além da violência evidenciada nos vídeos, uma outra leitura paralela é possível fazer. Em ambas as situações, de Santos e de Guarujá, a maior parte dos demais estudantes acompanha a briga ao largo, filmando com seus celulares o desenrolar dos socos, chutes e pontapés, imagens que depois foram imediatamente inseridas em suas próprias redes sociais, ganhando escala, clicks e engajamento. Sob o ponto de vista da denúncia e da aberração que tal cenário representa, é fato que as filmagens ajudam a tirar da sombra algo que, talvez, ficasse restrito no ambiente escolar, sem a repercussão necessária e a tomada de providências. Porém, assusta o fato de que a maioria dos jovens tenha priorizado a filmagem em lugar de qualquer outra ação que colocasse fim àquela violência. Esses episódios não são isolados, e têm sido cada vez mais frequentes nas unidades públicas e privadas da região. Ainda estão frescas as imagens e o desfecho de situação semelhante vivida por um adolescente de Praia Grande que, uma semana depois de ser fortemente agredido dentro da escola, morreu em uma unidade de saúde. Recentemente, em fórum sobre Educação promovido por este jornal, estudantes apontaram alguns caminhos que podem jogar luz sobre possíveis caminhos não só para pacificar o ambiente escolar, como também torná-lo mais atrativo e dinâmico para a própria aprendizagem. Entre as sugestões estavam a promoção de rodas de conversa, a relação mais próxima e amigável com professores e diretores, o exercício do ‘ouvir’ e a oferta de atividades lúdicas que promovam a integração e o diálogo. O envolvimento da família com a comunidade escolar também é imprescindível, já que parte dos desvios e dos desequilíbrios vem do ambiente familiar, que precisam ser compreendidos e resolvidos. A educação pela paz não é tarefa apenas da escola, tampouco da família. Crianças e adolescentes precisam de um olhar sinérgico de todos os setores durante o período de formação de valores, de personalidade, de convívio social. Ou se coloca essa questão no centro do debate ou cenas como as exibidas esta semana continuarão fazendo parte do feed de todas as redes sociais.