(Reprodução Instagram/Donald Trump) O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou que se tornou um estorvo para a economia mundial. Ontem, ele confirmou em 10% a taxa sobre importações adotada após a Suprema Corte derrubar o tarifaço de abril. Em consequência, as bolsas caíram e o ouro subiu, sinal de que a incerteza voltou a dominar os ânimos. Enquanto as empresas ficam confusas sobre os custos que terão para vender aos EUA, os países que já fecharam acordos com a Casa Branca, fazendo grandes concessões, estão atônitos. Seus governos correm o risco de serem acusados pela oposição de que se precipitaram, causando prejuízos aos seus respectivos setores privados. Mas ninguém está certo sobre o que fazer. Assim como Trump pode perder de novo na Justiça, ele já busca alguma brecha para readequar sua cobrança tarifária totalmente descabida. O mais curioso é que o Brasil se tornou o país mais beneficiado pela decisão da Suprema Corte contra o tarifaço original. Esse desfecho tem muito a ver com a altíssima taxação do Brasil, de 50%, parecida apenas com a da Índia, pois, com a China, Trump adotou acordos prévios na esperança de chegar a um grande entendimento. Pequim segue irredutível, com alguns recuos táticos, como voltar a comprar soja americana. Segundo a Global Trade Alert, um observatório independente sobre políticas comerciais, o Brasil terá uma redução de 13,5 pontos percentuais na tarifa média com a troca do tarifaço de abril pelo imposto de 15%. Em segundo, está a China (-7,1 pontos) e em terceiro a Índia (-5,6). Mas países que fizeram acordos acelerados perderam, como o Reino Unido, que pagará 2,1 pontos percentuais a mais, o Japão, 0,4, e a Coreia do Sul, 0,6. A União Europeia, que terá acréscimo de 0,8, suspendeu a formalização jurídica de seu tratado com os EUA. Outro estudo, do banco de investimento Goldman Sachs, também coloca o Brasil na liderança como o mais beneficiado pelo julgamento da Suprema Corte. O País, que pagava 23% em média para exportar aos EUA, será taxado em 13%. Como persiste a incerteza, ainda não se sabe até que ponto essa vantagem vai acirrar os ânimos das conversas entre o Brasil e os EUA e se Trump vai realmente receber o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com boa vontade. Ao anunciar a nova taxação de 15%, a Casa Branca lembrou que continua valendo a investigação comercial contra o Brasil no caso do Pix, barreiras comerciais, Rua 25 de Março, proteção intelectual e desmatamento. Esse lembrete indica que os EUA, sem o tarifaço de 50%, perdem poder de barganha com o Brasil. O que se conclui é que as conversas vão ficar mais complexas, pois novos elementos foram inseridos e a diplomacia brasileira não tem como saber no curto prazo que parâmetros a equipe de Trump vai seguir. O problema é que, com a aproximação das eleições no Brasil e nos EUA, o entendimento vai ficar mais difícil e talvez nem saia.