(Alexsander Ferraz / AT) O envelhecimento acelerado dos brasileiros pressionará não apenas a Previdência Social, mas também a saúde dos setores público e privado. Segundo um estudo da empresa de pesquisas Data8, em reportagem do jornal Valor Econômico, o consumo em saúde dos maiores de 50 anos aumentará de R\$ 247 bilhões em 2024 para R\$ 559 bilhões em 2044. Além disso, a participação dessa faixa etária nos gastos totais de todo o País com Medicina, incluindo prevenção, aumentará de 35% em 2024 para 50% em 2044. O levantamento indica que o desafio dos governos, de suportar despesas crescentes para atender as necessidades da população, é muito maior do que se imagina. Isso exige, agora, e não somente no futuro, soluções para resolver as limitações orçamentárias, viabilizar novas fontes de recursos, melhorar a rede de atendimento e investir em qualidade de vida. No caso da Previdência Social, há o gargalo de um menor número de contribuintes na vida ativa para garantir a aposentadoria a um maior número de aposentados com longevidade ampliada. Do lado da saúde, a expansão das despesas também embute os gastos com medicamentos sofisticados e tratamentos cada vez mais caros, um problema mundial. O aumento da longevidade e uma fatia maior de idosos na população são conquistas formidáveis, mas que poderão ser anuladas se não for implantada uma infraestrutura para atender a tais necessidades. Por exemplo, há o risco de uma parcela considerável dos brasileiros envelhecer de dolorosamente, sem recursos suficientes ou acesso aos novos tratamentos. Aliás, essas falhas já se verificam, mas poderão se tornar uma bola de neve se não forem imediatamente enfrentadas. Para analistas, programas como Saúde da Família, que prioriza a prevenção, e Agora Tem Especialistas, do Governo Federal, são fundamentais para melhorar a atenção aos maiores de 50 anos. O setor privado, como planos e hospitais, também tende a enfrentar a multiplicação dos custos, pois se repete o desafio de sustentar um sistema com mais idosos e um número menor de jovens participando desse modelo. Infelizmente, os investimentos em saúde pública estão pressionados por restrições orçamentárias. Em um caminho totalmente incoerente, o aumento do montante destinado às emendas parlamentares fez com que secretarias municipais e estaduais e o Ministério da Saúde passassem a contar com esses repasses para dar vazão às necessidades da população. Porém, reportagens mostram que parte desses recursos, por uma questão de visibilidade eleitoral, vai para postos de saúde, que podem não ser as prioridades locais, em detrimento da destinação da verba para programas preventivos, por exemplo. Com base nas tendências atuais, teme-se que pouco será feito para preparar a saúde pública para as mudanças demográficas do País, que, basicamente, exigem muito planejamento e mais verbas.