[[legacy_image_297279]] Levantamento divulgado esta semana pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que, no Brasil, apenas um em cada dez estudantes está matriculado no ensino profissionalizante. Nos demais países, a média é de quatro para cada dez estudantes. Além disso, o País registra alto índice de jovens entre 18 e 24 anos que nem estudam nem trabalham, os chamados ‘nem-nem’: cerca de 24,4% nessa condição. As maiores taxas de matrículas na educação profissional estão na Eslovênia (70%) e na Croácia (70%). Uma análise mais imediata poderia supor que, em não estando no ensino profissionalizante, esses jovens estariam, então, no ensino superior, o que não ocorre também. Dados consolidados pelo Instituto Semesp, ligado à entidade que representa as instituições particulares de ensino superior, indicam que apenas 18,1% dos jovens de 18 a 24 anos estão matriculados no ensino superior, dado distante das metas do Plano Nacional de Educação, que mirava índice de 33% em 2024. Em outras palavras, são jovens que estão fora da educação em uma faixa etária em que deveriam estar completando seus estudos e em vias de ingressar no mercado de trabalho. “Transformações profundas e contínuas estão remodelando a forma como vivemos, aprendemos e trabalhamos. Isso reforça a importância de competências como resolução de problemas, trabalho em equipe e comunicação, que são fundamentais para a empregabilidade e complementam tanto o ambiente acadêmico quanto habilidades práticas. O ensino e a formação profissionais se tornarão cada vez mais importantes”, diz o documento divulgado pela OCDE. A educação profissionalizante há tempos vem perdendo espaço como caminho alternativo ao ensino superior - ou, ao menos, como ponto de partida para uma carreira mais robusta na área escolhida. Os governos, especialmente os estaduais, têm anunciado iniciativas que buscam aproximar as ofertas de cursos no ensino médio às preferências dos estudantes. Exemplo recente é do Governo do Estado de São Paulo que, há dois anos, implementou o novo ensino médio com trilhas de conhecimento que, em um primeiro momento, parecia próximo desse objetivo, mas acabou se perdendo com a oferta de cursos que em nada se relacionavam às demandas do universo corporativo. Além disso, cursos foram oferecidos sem que houvesse corpo docente preparado para essas trilhas. Como diz o documento da OCDE, a sociedade que emerge da pandemia reflete uma dinâmica mais acelerada e transformadora, com a tecnologia cada vez mais presente. O mercado de trabalho espelha esse movimento e carece de profissionais não necessariamente formados no ensino superior. É preciso que governos e setor privado da educação estejam em sintonia com esse cenário, para não perder oportunidades nem uma geração inteira de jovens.