[[legacy_image_341904]] A decisão do Governo Federal de investir pesadamente nos institutos federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) está correta. A medida tem potencial para enfrentar um dos principais fatores do custo Brasil – a falta de competitividade internacional associada à baixa capacitação da mão de obra. Serão destinados R\$ 2,5 bilhões a 100 novas escolas, além de R\$ 1,4 bilhão para modernizar as existentes. Se a iniciativa realmente sair do papel, serão abertas 140 mil vagas. O que mais anima é que a região foi incluída na lista de unidades a serem instaladas, com uma em Santos e outra em São Vicente. Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, metade das vagas dos novos IFs será destinada a cursos técnicos integrados ao Ensino Médio. Trata-se de uma grande oportunidade aos jovens para ingressarem mais rapidamente no mercado de trabalho com empregos de melhor qualidade e bom salário. Além disso, poderão desenvolver carreiras com acesso fácil a futuras atualizações, adaptando as mudanças tecnológicas que estão bem aceleradas. O foco nas carreiras tecnológicas e profissionalizantes e no Ensino Técnico já é amplamente explorado pelas economias mais desenvolvidas e por países que deram saltos mais acelerados, sendo a Coreia do Sul o exemplo mais citado. Hoje, profissionais que se adaptam facilmente às novas ferramentas tecnológicas e estão em constante capacitação são muito disputados pelas empresas. Porém, caso o País amplie sua taxa média de crescimento anual, poderá haver um apagão de mão de obra especializada, apesar de o Brasil ainda ter uma numerosa população em atividades informais ou subutilizada. Apenas a educação de qualidade será capaz de levar esse público a empregos de melhor nível. Porém, abrir escolas desenfreadamente não é garantia de sucesso com essa iniciativa, pois haverá muita demanda por professores altamente especializados. Por outro lado, a rede federal dependerá de investimentos contínuos e não apenas dessa injeção de recursos preparada pelo governo. A saída seria tornar o Ensino Técnico uma política de Estado, permanente e estratégica para o desenvolvimento do País. E não um programa na vitrine da atual gestão, sob risco de sofrer restrições orçamentárias ou ser engavetado por questão de disputa eleitoral com o sucessor. Além disso, um programa tão amplo de abertura de institutos federais precisa estar em sintonia com a necessidade dos empregadores. Para isso, será preciso ampliar parcerias com as empresas. No Estado, devido à ampla industrialização, esse processo já está avançado, mas qualquer investimento em escolas federais é bem-vindo, pois é justamente a indústria paulista que se queixa da falta de pessoal formado. No fim das contas, a destinação de recursos ao ensino depende da estabilidade econômica do País, com juros baixos e crédito abundante para que as empresas possam crescer e gerar mais empregos.