[[legacy_image_285765]] A decisão do Governo Federal de acelerar a migração das escolas municipais e estaduais para o ensino integral é um passo importante para melhorar a qualidade da educação pública no País. Entretanto, a medida precisa ser uma política de longo prazo de aplicação, envolvendo muitos gastos – uma iniciativa na mesma linha, no Governo Dilma Rousseff, perdeu fôlego ao ter suas verbas reduzidas. Além disso, trata-se de uma mudança profunda na rede educacional, evoluindo para sete horas de aulas diárias (ainda inferior a dez horas nos países desenvolvidos), exigindo mais professores e capacitação, materiais tecnológicos, equipamentos e adaptação da infraestrutura das unidades. E talvez com abertura de vagas, pois uma mesma sala hoje pode ser ocupada por diferentes turmas de manhã até a noite. Enfim, o planejamento é essencial e uma transição tão profunda não pode ser feita às pressas. Porém, o ensino integral é necessário para o desenvolvimento do Brasil, que está muito atrasado nessa modalidade perante outras nações no mundo. Esse formato já é aplicado em parte no País e, por exemplo, amplamente no Ensino Médio de Pernambuco. Deve-se ressaltar que há muitas disparidades entre as escolas de uma mesma região, como a de bairros centrais e as de periferia, e as unidades em cidades pequenas ou áreas do País que têm acesso precário à internet, ferramenta essencial para o ensino hoje em dia. Especialistas em educação e economistas há tempos alertam para não só o País aumentar seus investimentos em educação, como dar um salto de qualidade na gestão do ensino, fundamental para melhorar a qualidade da aprendizagem que será levada aos estudantes. No caso desta iniciativa do Governo Federal, o Programa Escola em Tempo Integral prevê transferir neste ano 1 milhão de alunos para a modalidade, chegando a 3,2 milhões até 2026, com investimento de R\$ 4 bilhões. Com o debate polarizado também no ensino, o Ministério da Educação está cuidadoso e evitou imposição, sendo facultativa às prefeituras e estados a adesão à escola integral. Assim como no caso das escolas cívico-militares, lançadas na gestão passada, teme-se que o Programa da Escola em Tempo Integral seja uma iniciativa de governo (e não de estado) que acabe descontinuada. A meta estabelecida pelo Ministério da Educação mira 2026, fim do terceiro mandato do presidente Lula, mas o ideal é que o programa não tenha um carimbo político. No fim das contas, a discussão necessária sobre a educação pública é como torná-la melhor. Se no Governo Fernando Henrique Cardoso, a meta era manter toda criança na escola, para os presidentes seguintes ficou a missão de aumentar a qualidade, o que até hoje não veio de fato. Trata-se de uma oportunidade para inserir as novas tecnologias no ensino, tão presentes no dia a dia dos jovens, mas pouco aproveitada nas salas de aula.