(Imagem Ilustrativa/Pixabay) O governador Tarcísio de Freitas anunciou, em 18 de fevereiro passado, investimentos vultosos por parte da Sabesp na região, totalizando R\$ 7,5 bilhões. Um dos principais é o de R\$ 134,7 milhões para a travessia subaquática Santos/Guarujá, que levará mais água para a população. O projeto consiste na instalação de uma adutora sob o canal do Porto de Santos para transportar até Guarujá parte da água que é produzida na Estação de Tratamento de Água (ETA) Cubatão. A obra beneficiará mais de 450 mil pessoas e tem o objetivo de garantir a segurança hídrica na região, com previsão de conclusão no final de 2026. A travessia terá 5,5 quilômetros de extensão, sendo 700 metros sob o canal do porto, e capacidade de abastecimento 500 litros a mais por segundo. Para as mais de 150 mil pessoas que vivem em Vicente de Carvalho, porém, 2026 está longe demais. Há uma semana, aproximadamente, moradores de parte do distrito e de outros bairros de Guarujá enfrentam torneiras secas ou abastecidas com quantidade insuficiente para o consumo diário. Bares e restaurantes fecharam as portas pela total falta de condição de atender a clientela, residências lançaram mão de baldes e bacias para reservar água nos períodos em que havia fornecimento e até uma unidade educacional do Município suspendeu as aulas no período da tarde por dois dias. Um gabinete de crise foi instalado na Prefeitura de Guarujá, reunindo informações, queixas e providências possíveis para atenuar os transtornos. Caminhões-pipa foram acionados e a Sabesp informa que, ainda neste semestre, entrará em operação o Reservatório Morrinhos, com 10 milhões de litros de água tratada e reservada para Morrinhos, Jardim Brasil, Ciro Alves, Vila Zilda e Vila Edna. Em uma cidade como Guarujá, ainda não interligada a todo o sistema de abastecimento regional, é tecnicamente compreensível que o regime de chuvas acabe interferindo severamente na disponibilidade de água e, como março registrou baixa precipitação pluviométrica, a consequência imediata é essa que os moradores estão vivendo. Porém, é esperado que os impactos danosos provocados pelas mudanças climáticas deverão ocorrer com mais frequência e que são relativamente previsíveis. Então, à Sabesp cabe estar alerta para outros momentos de crise hídrica, mantendo um plano de contingência para ser acionado de forma imediata, para que nenhum comércio precise fechar as portas ou crianças fiquem sem aulas. O Governo do Estado promete antecipar em quatro anos, de 2033 para 2029, as metas estabelecidas no Marco Legal do Saneamento, que prevê 99% da população atendida com água tratada e 90% com coleta e tratamento de esgoto. Essa disposição foi uma das justificativas para a privatiza-ção da Sabesp, em 2024. A ideia é levar água tratada às localidades que ainda não têm. Até lá, porém, situações como a vivida por Guarujá precisam ser equacionadas definitivamente.