[[legacy_image_57148]] A crise hídrica, com reflexos na oferta de energia no País, e o impacto dos combustíveis fósseis no meio ambiente, que são questões interligadas, considerando as mudanças climáticas, mais do que indicam que é preciso acelerar o uso de matrizes energéticas alternativas no Brasil. Porém, assim como nas transições tecnológicas do passado, agora também será preciso dar um empurrão para que cidadãos e empresas encampem essas mudanças. Trocar um sistema por outro custa dinheiro, desde a infraestrutura até a mão de obra que será treinada para fazer a manutenção de novos equipamentos. Por exemplo, os carros elétricos custam a emplacar no Brasil porque exigem uma rede de abastecimento e o preço do veículo só vai cair se houver estímulo fiscal, acesso aos componentes de alta sofisticação e produção em larga escala, um pacote que reduz os custos de fabricação. Por isso, fazer essa importante transição para tecnologias mais sustentáveis exige um plano centralizado, que precisa ser conduzido pelo Governo. Afinal, será necessário emitir normas reguladoras, fiscalizar sistemas, formar trabalhadores, estimular a concorrência, cobrar impostos e facilitar o acesso a linhas de crédito. Diferentemente da transição tecnológica do final do século 19, a atual tem uma diversificação impressionante de matrizes – não necessariamente novas, mas pouco exploradas, em especial no Brasil. Podem ser citados o gás natural, que é fóssil, mas bem menos poluente, e as energias solar, eólica e de biocombustíveis. A diversificação, apesar de dar menor ganho de escala do que uma matriz dominante, como é o caso do petróleo, oferece muita segurança. O Brasil tem um sistema energético dos menos poluentes por estar centrado em usinas hidrelétricas. Também não se pode esquecer das vantagens ambientais do etanol. Entretanto, com chuvas irregulares, a cada meia década há o risco do racionamento. Por isso, dispor de diversas fontes é a melhor forma de garantir energia de modo seguro e estável. Contudo, uma nova matriz energética também exige que os usuários troquem de equipamentos. É o caso do gás natural, abundante na costa do Sudeste e na Bolívia, mas pouco utilizado por exigir adaptações nos lares e nas indústrias. A transição para novas matrizes também traz a vantagem da geração de inúmeros negócios, algo já aproveitado pelos chineses, que dominam a exportação de equipamentos de base solar, que vão parar nas residências e fazendas espalhadas pelo interior do Brasil. Já a eólica é mais explorada pelos empreendedores do País e conta com um parque industrial para abastecer as imensas torres que se espalham pelo Nordeste. A dificuldade é ligar essas pontas de forma eficiente, unindo a disposição para arriscar do empreendedorismo ao financiamento privado. Empresários e autoridades precisam se aproximar e discutir iniciativas mais incisivas pelo bem das novas gerações.