(Paulo Pinto/Agência Brasil) Ano após ano, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) consolida-se como o principal mecanismo de acesso ao ensino superior no Brasil. Criado em 1998 com o objetivo inicial de avaliar o desempenho dos estudantes ao término da educação básica, o Enem ampliou sua abrangência, ganhou credibilidade e se transformou em um dos maiores exames educacionais do mundo. Hoje, é a principal porta de entrada para universidades públicas por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), além de ser requisito para programas como o Prouni e o Fies, e até mesmo aceito por instituições de ensino superior no exterior. Mais do que uma prova, o Enem tornou-se um divisor de águas na vida de milhões de brasileiros. A trajetória do Enem retrata a evolução das políticas públicas de acesso à educação superior e a busca por democratização do ensino. O que antes era uma alternativa complementar ao vestibular tradicional, hoje representa a única oportunidade para muitos estudantes de baixa renda ingressarem em universidades de excelência. Com isso, o exame passou a exercer uma função social ainda mais relevante, sendo também uma ferramenta de mobilidade social. Jovens de diferentes regiões e realidades socioeconômicas encontram, no Enem, uma chance concreta de mudar seus destinos por meio do estudo. Não à toa, o exame vem sendo continuamente aprimorado. A aplicação em dois domingos consecutivos, a adoção de medidas de segurança, o respeito à diversidade com a oferta de atendimento especializado e agora, em 2025, o retorno da certificação do Ensino Médio e o alinhamento à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) são indicativos de um esforço constante por parte do Ministério da Educação e do Inep em tornar o processo mais inclusivo e representativo. O Enem de 2025 traz ainda uma importante novidade: a pré-inscrição automática de estudantes do 3º ano do Ensino Médio da rede pública, o que poderá ampliar a adesão de jovens que, muitas vezes, sequer sabem que têm esse direito</CW>. No entanto, essa proposta só será efetiva se for acompanhada de uma ampla e eficiente campanha de divulgação. O prazo de inscrição é curto — de hoje a 6 de junho — e muitos estudantes ainda enfrentam dificuldades para acessar informações básicas sobre o exame. Em um país com desigualdades históricas no acesso à informação e conectividade limitada em diversas regiões, confiar apenas em canais digitais não é suficiente. É preciso mobilizar escolas, secretarias de educação, mídias regionais, influenciadores e a sociedade como um todo para garantir que nenhum jovem seja deixado para trás por falta de conhecimento ou orientação. O Enem é, cada vez mais, uma ponte que oferece oportunidade real de transformar a vida do jovem, especialmente o de baixa renda. Embora sempre seja possível aprimorá-lo, é legítimo dizer que representa, hoje, uma ferramenta de educação que coloca o Brasil em um patamar de destaque.