(Adobe Stock) O desemprego atingiu o patamar mais baixo dos últimos anos, as exportações seguem fortes apesar da guerra comercial americana e o crescimento do País se mantém em níveis moderados, sem recessão à vista. Entretanto, pesquisas eleitorais indicam que o Governo Lula sofre do mesmo problema de Joe Biden e Donald Trump, nos Estados Unidos, com a economia em ordem, mas a insatisfação da população com a perda do poder aquisitivo. Portanto, não bastam bons indicadores para o eleitorado premiar o gestor da ocasião com uma reeleição. É preciso sentir no bolso que tudo vai bem. No caso do Brasil, o Banco Central aponta que 29,3% da renda das famílias são utilizados para pagar dívidas, revelando que parte dos brasileiros não consegue usufruir do que índices econômicos apontam. Esse diagnóstico já chegou ao Palácio do Planalto e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se manifestou sobre ele, afirmando que o endividamento faz com que o eleitorado não sinta melhora na economia. Parte dessa conta tem a ver com o descuido e o desconhecimento do consumidor com finanças pessoais. Entretanto, cabe ao governo educar a população. Pelo contrário, o estímulo ao crédito, pagamento antecipado do 13o salário dos aposentados e saque facilitado do FGTS foram políticas amplamente utilizadas ao longo dos anos – mas muito pouco ou nada foi desenvolvido para convencer sobre a importância de poupar. Aliás, o governo tem dado o pior exemplo, gastando além do que arrecada, o que exige endividamento público. Em 2023, o Governo Lula acertou ao lançar o Desenrola, programa de renegociação de dívidas. Porém, ele não teve o alcance esperado, tanto pelos economistas quanto pela ala política. Aparentemente, muitos dos inadimplentes preferiram não aderir pelo medo de assumir um parcelamento que poderiam não conseguir cumprir. Dentro de dez dias, o governo promete lançar um novo Desenrola, bem mais amplo que o anterior. Conforme as entrevistas dadas até agora, a ideia é atender o consumidor com renda até três salários mínimos, oferecendo descontos de até 80% sobre dívidas com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal, as linhas com juros mais altos. A dificuldade será definir a garantia, um fundo que será acessado pelos bancos para cobrir eventuais calotes com valores renegociados. O que preocupa é de onde sairá esse dinheiro, que poderá inflar ainda mais o rombo das contas públicas. Ainda que seja um programa eleitoreiro, espera-se que a nova renegociação tenha melhores resultados para devolver uma parcela considerável dos endividados ao consumo, estimulando saudavelmente a economia. O problema é que, após o ajuste de suas contas, muitos consumidores tendem a cair na tentação de voltar a fazer dívidas insustentáveis. Por isso, se torna fundamental investir em educação financeira e exigir do mercado bancário mais responsabilidade ao fornecer cartões e crédito a juros altos a esse público.