O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, com R\$ 17,3 bilhões em dívidas, reflete as mudanças no varejo, de ampla competição com o comércio eletrônico e os portais asiáticos e a necessidade de fazer pesados investimentos em tecnologia. Mas também a dificuldade de suportar juros elevados. A tradicional rede de eletrodomésticos não está sozinha em crise – Marabraz, TokStok e Americanas também enfrentam dificuldades. Porém, o meio empresarial sofre com o crédito mais caro há tempos. Segundo o jornal O Globo, com base em dados da Serasa Experian, o País tem 9 milhões de empresas inadimplentes. Desse grupo, 95% são micro e pequenos negócios. Há atrasos com prestações de financiamentos, faturas dos fornecedores, impostos e até contas de luz. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os juros elevados são apontados como principal motivo do endividamento sufocante. Isso tem relação com a política restritiva do Banco Central para derrubar a inflação, processo que já surte efeito. A subida dos preços teve relação com vários fatores, entre eles, os que o BC não consegue interferir, como a valorização internacional do dólar anos atrás, os fertilizantes mais caros desde a guerra da Ucrânia e a disparada do petróleo com o conflito no Oriente Médio. O Governo Federal, por outro lado, investiu em medidas temporárias para impedir o impacto externo no País, com subsídio aos combustíveis. O efeito colateral é o aumento dos gastos públicos. Mas o despejo de recursos federais na economia funciona como um amortecedor na política do BC, obrigando-o a segurar as engrenagens da economia por mais tempo. Esses repasses são feitos não somente por meio de programas sociais, mas também por empréstimos de bancos estatais e aumento de salários dos servidores e de benefícios previdenciários. E ainda com a liberação de emendas parlamentares, assim como o pagamento de precatórios (indenizações por ordem da Justiça). Entretanto, fechar a torneira da gastança não é fácil, não somente pela dificuldade de suportar as pressões dos grupos de interesse. Como a presença do Estado na economia é muito elevada, há um sério risco de um plano de austeridade rigoroso causar uma recessão acentuada. Meses atrás, o presidente Lula fez críticas a corte de gastos, alegando que programas sociais são investimentos. Entretanto, como o governo é deficitário, esse dinheiro é bancado pelo endividamento público a juros altos. Curiosamente, a equipe econômica vem falando sobre possibilidades para reduzir a gastança, uma surpresa, pois se está em período eleitoral. Analistas dizem que nem mesmo a oposição, se vencedora no pleito, realizaria cortes profundos, considerando a necessidade de atrair o apoio do Congresso e o medo de perder apoio em tempos de reação instantânea das redes sociais. Por isso, a expectativa é de mais paliativos frente às contas públicas, mas isso não será suficiente para reduzir os juros para patamares desejados.