(Alexsander Ferraz/AT) Com a continuidade dos lançamentos imobiliários, as construtoras da região planejam manter o ritmo de obras aquecido, o que significa gerar empregos, conforme A Tribuna publicou ontem. Esse quadro é estimulado por financiamentos habitacionais com juros abaixo da taxa Selic, com o crescimento moderado da economia garantindo segurança para contrair empréstimos. Contudo, esse bom momento do mercado enfrenta o desafio de encontrar mão de obra, que precisa estar cada vez mais qualificada. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Por outro lado, a situação das contratações poderá ficar mais desafiadora com investimentos em infraestrutura e os prefeitos buscando acelerar projetos para demonstrar serviço na segunda metade do mandato, o que ampliaria a demanda por trabalhadores. Trata-se de um problema importante que terá que ser resolvido para evitar uma explosão dos custos e manter os prazos de entrega prometidos à clientela. A preocupação dos construtores com a falta de mão de obra já tem alguns anos e é provável que problema parecido esteja sendo sentido por outros setores. A taxa de desemprego, que chegou a 14% em 2021, agora está na casa dos 5% e alguns economistas acham que ela poderá recuar a até 4,5%, apesar do ritmo de geração de vagas estar em plena desaceleração devido aos juros básicos de 15%. Entretanto, a construção enfrenta mudanças estruturais. Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon), a média de idade do trabalhador do setor é de 41 anos, em meio ao fenômeno da aposentadoria dos mais experientes e um ritmo menor de entrada de jovens. Além disso, a construção, na disputa por mão de obra, enfrenta a concorrência das novas ocupações. É o caso dos aplicativos, que não geram benefícios, como FGTS, férias, 13º salário e Previdência, mas que para muitos têm a vantagem do horário flexível. Por outro lado, os apps de transporte embutem riscos, como um eventual impacto de uma alta dos preços dos combustíveis, que tende a corroer a lucratividade nesses períodos. Analistas também acham que há muita exposição desse público a acidentes ou violência urbana, impedindo o retorno ao trabalho e ao mesmo tempo não ter proteção social, levando a um redução da renda familiar. Para fidelizar os funcionários, os empresários dizem que elevaram os salários, inclusive acima do que foi definido em convenção, e que têm feito parcerias com o Senai para a capacitação. Isso propicia desenvolver uma carreira com melhor remuneração e baixo risco de perder o emprego, exceto em futuras crises econômicas. É possível que muitos jovens vejam a construção como um segmento extenuante e pouco tecnológico, o que não condiz com a modernização do setor, segundo o Sinduscon. Assim como as empresas, os governos precisam ficar atentos a essas dificuldades das construtoras, conscientizando as novas gerações de que essa atividade mudou e que é possível ascender profissionalmente nesse meio.