A expansão acelerada do número de empreendedores com mais de 60 anos no País reflete o envelhecimento da população. Tal mudança exige adaptações de políticas públicas, tanto para atender economicamente esse perfil em expansão, que precisa de mais crédito e conhecimento em negócios, como apoiar socialmente, lembrando que parte desse público continua na ativa por necessidade de renda. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme o Sebrae, o Brasil tem 4,5 milhões de empreendedores maiores de 60 anos, número que cresceu em 58,6% na última década. O Sebrae tem um programa voltado para o empreendedorismo sênior, que no ano passado atendeu 869 mil participantes. O diferencial dessa faixa etária é a experiência, capacidade de liderar e potencial gerencial. Entretanto, esse público enfrenta o etarismo, a discriminação contra os mais velhos, entrave nas empresas que precisa ser combatido, ao mesmo tempo que esses trabalhadores devem ser conscientizados de que poderão obter frutos se ficarem na ativa. Nas categorias bem remuneradas, é comum que profissionais experientes se tornem consultores ou abram negócios com suas economias, prestando serviços a empresas de ponta. Mas há também os trabalhadores sem capacitação ou de menor renda que viveram na informalidade ou que não conseguirão se manter apenas com a Previdência Social. A solução é tentar continuar empregado ou partir para o próprio negócio a partir de suas habilidades. Segundo o Sebrae, nas duas situações (renda e satisfação pessoal), o turismo, o comércio e os serviços são os setores com maior potencial para quem busca o empreendedorismo. Como o Sebrae atua em todo o País, o programa Empreendedorismo Sênior 60+ estimula características regionais, como artesanato a partir de redes de pesca por mulheres de comunidades pesqueiras. Atividades como essa envolvem conhecimento, tradição e vocações locais, ajudando a manter famílias em suas origens, sem necessidade de migrar e enfrentar o risco do empobrecimento em médias e grandes cidades. Assim como os empreendedores jovens, os maiores de 60 anos enfrentam dificuldades de gestão. A começar pelo crédito, que é caro e restrito devido ao maior risco de calote e à falta de um bom plano de negócios para apresentar aos bancos. Além disso, há muita informalidade, limitando vendas ou prestação de serviços para empresas de maior porte ou prefeituras. Seria importante que os governos passassem a compreender as relações e o empreendedorismo sênior com os limites da Previdência Social, que está com sua capacidade no limite, e a importância de ter uma melhor renda após os 60 anos, mesmo com negócio próprio. Muitos trabalhadores começaram cedo, e ao envelhecerem não têm condições física e mental para continuar, entrando aí a Previdência, que precisa resolver seu rombo explosivo. Mas o País sairá ganhando se houver apoio aos que têm condições de se manter na ativa, retroalimentando a economia.