Imagem ilustrativa (Reprodução/ Governo do Estado de São Paulo) Com 124 mil casos confirmados e 113 mortes neste ano no Estado, a decretação de emergência contra a dengue, pela gestão estadual, tenta conter a disseminação da doença. A medida facilita o acesso a verbas estaduais e federais, reforçando a cobertura de internações. Com formas bem conhecidas para combater a multiplicação do mosquito transmissor, o problema, que começou a aparecer na Baixada Santista no fim da década de 1990, até agora persiste, com uma dimensão impressionante. Desta vez, a infestação é maior em São José do Rio Preto, com 37.580 casos e 36 mortes, enquanto na Baixada a incidência é bem menor, com 242 infectados e nenhum óbito. Mas os riscos continuam elevados, pois o Estado já identificou a presença do sorotipo 3. Quem foi contaminado pelo vírus 1 e 2 pode ficar de novo doente pelo 3, com a possibilidade de sofrer mais danos devido à incidência repetida. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Portanto, espera-se que as cidades, inclusive as que no momento estão em situação menos crítica, mantenham suas políticas de enfrentamento bem calibradas, com muita orientação ao público, por mais que as medidas sejam conhecidas. Isso porque o descuido pode acelerar a reprodução do Aedes aegypti durante as chuvas, que levam à formação de criadouros devido ao lixo imprudentemente espalhado nos municípios. Há a expectativa de vacinação, concentrada entre os adolescentes por ser o público menos infectado pela dengue e que tem manifestado mais sintomas graves. Por incrível que pareça, a aplicação das doses não atingiu o nível de cobertura esperado, indicando muita displicência com os efeitos da doença. De qualquer forma, as prefeituras precisam retomar as campanhas de conscientização, revertendo o impacto de campanhas anti-imunização difundidas pelas redes sociais nos últimos anos. O Governo Federal espera ampliar a oferta da vacina no curto prazo, mas tudo indica que será necessário convencer uma parcela maior da população a tomá-la. A persistência da dengue também tem relação com as mudanças climáticas. Nos anos 1990, o mosquito se restringia a regiões mais quentes, como Baixada Santista e Rio de Janeiro, com disseminação do inseto no verão e explosão de casos antes do inverno. Agora o inseto se reproduz com facilidade e transmite a infecção em áreas montanhosas e de clima moderado, se comparadas com o Litoral. Chuva e calor fora de época facilitam a multiplicação do Aedes aegypti, o que é uma tragédia, pois ele também pode transmitir outras doenças perigosas, como chykungunya e zika. Deve-se registrar o combate à doença em Guarujá, que em 2024 decretou emergência contra a dengue. A Prefeitura ampliou o uso do peixe barrigudinho, que se alimenta da larva do Aedes aegypti. Trata-se de um combate ambiental e sustentável, que se espera que dê bons resultados. Métodos antigos e novos precisam ser empregados para controlar a infecção o mais rápido possível.