Não se pode mais adiar soluções estruturais e definitivas para problemas que há tempos afetam a mobilidade na região (Vanessa Rodrigues/ AT) Mais um episódio de pane em uma das barcas que realizam a travessia entre Santos e Vicente de Carvalho reacende o debate sobre a urgência de soluções definitivas a esse serviço. No último incidente, uma barca ficou parada no canal. A população que depende diariamente das barcas para se deslocar entre as cidades vivencia situações semelhantes com mais regularidade do que seria o desejável. O Governo do Estado está em vias de lançar um edital de parceria público-privada (PPP) para conceder à iniciativa privada a operação dos serviços de travessia de pedestres e de veículos entre Santos e Guarujá - assim como todas as demais travessias do Litoral do Estado. Esta medida surge como uma tentativa de modernizar e aumentar a eficiência do sistema, que historicamente enfrenta desafios operacionais e estruturais. A concessão pode ser a solução para trazer investimentos e a expertise necessária para melhorar o serviço, mas é preciso que o processo seja bem conduzido, com qualidade e a acessibilidade como prioridades. Em 2023, a travessia de passageiros entre Santos e Vicente de Carvalho movimentou cerca de 25 mil pessoas por dia, um número que reflete a importância desse serviço à mobilidade regional. Já no sistema de balsas entre Santos e Guarujá, aproximadamente 25 mil veículos atravessam diariamente o canal, além de 2.500 pedestres e ciclistas. Esses dados destacam a relevância do transporte hidroviário na Baixada Santista, que, além de ser uma rota fundamental para moradores e turistas, é também um pilar para a economia local. No entanto, a frequência dos problemas técnicos nas embarcações e a existência de um modelo que já está saturado, com contratos fracionados para os diversos serviços que envolvem a travessia, inviabilizam, até para o Governo do Estado, manter os serviços em dia de forma ininterrupta. A população merece mais do que soluções paliativas. Um sistema de transporte integrado, que atenda às necessidades crescentes da região, é urgente. Com a iminência do processo de concessão, o Estado e os futuros operadores devem garantir que o novo modelo contemple a modernização da frota, melhoria da infraestrutura dos pontos de embarque e desembarque e, acima de tudo, a segurança dos usuários. A Baixada Santista tem potencial de expansão, e as travessias hidroviárias serão ainda mais essenciais à medida que o desenvolvimento urbano e turístico avançar. Não se pode mais adiar soluções estruturais a problemas que há tempos afetam a mobilidade na região. A travessia Santos-Vicente de Carvalho precisa deixar de ser um desafio diário e passar a ser uma parte eficiente do sistema de transporte metropolitano. A concessão à iniciativa privada pode ser o caminho para isso, desde que conduzida com responsabilidade e comprometimento. A população da Baixada Santista já esperou o suficiente. Agora, é hora de transformar a travessia em um serviço que inspire confiança e atenda às expectativas de uma região em crescimento.