(Vanessa Rodrigues/AT) Não surpreende que muitos eleitores admitam total desconhecimento sobre deputados e senadores ou em quem votaram há quatro anos. Mas o que assusta é a proporção dos que estão esquecidos sobre suas preferências nas votações passadas, segundo pesquisa do Instituto Datafolha. De acordo com o levantamento, 68% dos entrevistados não conseguiram citar um integrante conhecido na Câmara e 75% do Senado. Sobre a opção na última eleição geral, 67% se esqueceram sobre o escolhido para a Câmara e 66% sobre senador ou deputado estadual. Esses percentuais preocupam pelo elevado desinteresse por política, percepção que tem relação com um Parlamento com imagem abalada por escândalos, decisões fisiológicas e prioridades desconectadas da realidade da população. Por outro lado, o distanciamento do Congresso em relação ao País reflete a falta da pressão social sobre a classe política. Se houvesse uma preocupação constante do cidadão com o que acontece no Legislativo, poderia haver um maior comprometimento dos legisladores com a sociedade. Desta forma, seriam defendidos mais projetos essenciais aos brasileiros e não os mais convenientes aos interesses dos partidos e das lideranças para se perpetuarem por meio de uma votação descompromissada. A pesquisa também pediu aos entrevistados a menção espontânea de parlamentares e somente oito, de um total de 513, foram lembrados. Os dois mais citados foram Nikolas Ferreira (PL-MG), com 6% das menções, e Erika Hilton (PSOL-SP), com 4%. Os outros, com 1%, foram Gustavo Gayer (PL-GO), Kim Kataguiri (Missão-SP), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP). O senador Cleitinho (Republicanos-MG) foi mencionado como deputado federal, enquanto Eduardo Bolsonaro (PL-SP), também lembrado, não está mais ativo na Câmara por ser cassado. Esses nomes sinalizam a popularidade de políticos que atuam amplamente nas redes sociais, indicando a força dos candidatos de presença majoritário nos meios eletrônicos para a próxima eleição. Novas tecnologias e eleitores plugados no celular por tanto tempo exigem que os políticos se comuniquem com eles segundo essas mudanças. Porém, de olho no número maior de cliques com potencial para as urnas, o digital prioriza ideias polarizadas e pautas identitárias e os ataques e revides dentro de bolhas, sem o devido debate. O resultado da pesquisa contraria afirmações de que o eleitorado estaria mais politizado, considerando o intenso tiroteio virtual entre bolsonaristas e petistas. Contudo, se há tanta alienação, imagina-se que as postagens são restritas a um público menos numeroso, mas que propaga suas posições, com outros visualizando esse material sem se envolver nessa batalha. Entretanto, essa parcela numerosa alheia à política poderá ser convencida, mas, como aponta o levantamento, sem se interessar em quem votou, o que é uma pena para a democracia.