Começa nesta segunda-feira (31), e segue até dia 16 de setembro, o período destinado às convenções partidárias e à definição sobre coligações que se formarão para o pleito municipal deste ano. Quer pelo momento ímpar que o País está vivendo - abalado por uma pandemia que já dura seis meses -, quer pelos solavancos que vêm da política nacional, a eleição deste ano parece dispor de um desenho diferenciado e imprevisível. Estados e municípios tiveram suas finanças fortemente abaladas pelas despesas não previstas no combate ao novo coronavírus, e o caixa geral dos cofres públicos levará ainda tempo para se recompor. Para os municípios, a fístula que se abre é ainda mais sintomática, porque o caixa local é a ponta final de um bolo orçamentário que não privilegia o poder municipal e torna a redefinição do pacto federativo mais urgente do que nunca. Com cofres esvaziados pela pandemia, prefeitos que assumirem em janeiro de 2021 enfrentarão o desafio de finalizar obras e projetos paralisados por meses, além da eventual sobrecarga em seus serviços, fruto de um contingente de desempregados que cresceu e impactará as redes públicas de ensino e saúde, principalmente. Esse cenário, diferente de anos eleitorais passados, talvez torne as composições partidárias mais complexas, e as negociações mais intensas, com troca de apoios políticos por cargos nas futuras administrações. O período curto de campanha na mídia - 50 dias, a partir de 26 de setembro - favorece candidatos à reeleição ou apoiados pelos atuais governos. O cenário está posto. Quase quatro décadas depois da redemocratização do País, ainda não há a plena percepção de que democracia não se faz apenas com o direito ao voto, não se encerra na urna, e esse conceito se torna ainda mais imprescindível quando o interesse pela política partidária diminui e parece já não atrair a atenção de jovens lideranças. Ou quando causas substanciais da sociedade, como a representação feminina e a de negros, não estão presentes entre os postulantes a um cargo eletivo. Dezessete dos 24 partidos com representação no Congresso, por exemplo, têm de zero a 41% de negros. Mulheres também são minorias nos legislativos e executivos, e tudo indica que não haverá presença feminina entre os candidatos a prefeito de Santos. Se bandeiras como essas não têm representantes na política, sinal de que a busca pelas causas sociais como igualdade de gênero, por exemplo, terá que se dar de outras formas. Sinal também de que essas bandeiras poderão ser levantadas por outros candidatos, com fins eleitoreiros apenas, e que logo as abandonarão. Em ano de pandemia e desânimo com o cenário político, a lição de casa para o eleitor está posta, portanto: selecionar com ainda mais zelo seus representantes e, mais que isso, apropriar-se de todas as ferramentas de transparência disponíveis para acompanhá-los e cobrá-los.