[[legacy_image_210330]] A cinco dias da eleição, especialistas elencam alguns fatores que tornam o pleito imprevisível. Abstenções, indecisos, votos útil e envergonhado ou mesmo eventuais mudanças nas opções da classe C podem dar resultados surpreendentes ou mais apertados. Esses comportamentos não são novos, mas ganham importância em um processo tão disputado como agora. O mais interessante é que o eleitorado está mais conectado do que nunca, com acesso a muita informação. Por outro lado, há o empobrecimento, que pode dificultar a locomoção de quem vive em metrópoles ou regiões afastadas das cidades no interior. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! É possível se repetir também irregularidades de antigamente, como pressionar o leitor, seja por caciques ou por milícias, como se teme no Rio de Janeiro. Por isso, as autoridades eleitorais precisam cobrar dos governos o pleno funcionamento dos sistemas de transportes e manter o fluxo de muita informação sobre os locais de votação, os horários e o documento exigido, formas de garantir ao cidadão que exerça seu direito de escolher seus representantes. O fator que mais pesa é o da abstenção, pois envolve um número elevado de eleitores, chegando a 30 milhões em 2018. O índice dos aptos a votar que não comparecem tem crescido. Em 2006 chegou a 16% e em 2018 avançou para 20,3%. Os mais vulneráveis, segundo cientistas políticos e especialistas em pesquisas, são das classes D e E, analfabetos e idosos. Em 2018, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a ausência chegou a 50% entre analfabetos a partir dos 60 anos. Nas últimas semanas, o ex-presidente Lula passou a alertar seus eleitores para que não se abstenham, pois seus apoiadores têm maior participação na baixa renda, mas os analistas lembram que o presidente Jair Bolsonaro, ao expandir o Auxílio Brasil, também almeja votos das classes mais pobres e também sairia prejudicado. Os especialistas afirmam ainda que a falta de dinheiro em casa pode fazer com que não haja como gastar com a condução no dia 2. As outras imprevisibilidade têm mais a ver com a própria escolha do eleitor. A principal delas é a indecisão, que pode atingir mais gente do que se imagina, segundo o cientista política da Fundação Getúlio Vargas, Fernando Abrucio. Uma parte não acompanhou os debates e deixou para se decidir em cima da hora, enquanto outros podem estar se decidindo se embarcam na campanha do voto útil. A partir daí, os especialistas embutem outras situações com potencial para surpreender no domingo, como o voto envergonhado, aquele que não se manifesta claramente por temer represália do seu meio, uma possibilidade em uma eleição tão polarizada que serve para os dois candidatos favoritos nas pesquisas. Mas o que se deve evitar a qualquer custo contra o direito do cidadão de ir votar é o medo da violência política. Porisso, as autoridades eleitorais precisam ser convincentes de que a segurança estará garantida no próximo dia 2.