(Alexsander Ferraz/AT) Não é processo simples ou de baixo custo manter revitalizados imóveis antigos, especialmente se forem tombados pelos órgãos de patrimônio histórico e cultural, motivo pelo qual é preciso ter critério rigorosamente técnico antes de declarar passível de tombamento qualquer que seja a construção. Quando se mantém no abandono um imóvel histórico por muito tempo, a complexidade e os custos do restauro praticamente inviabilizam qualquer iniciativa. Por esse motivo, é legítimo dar destaque ao anúncio, esta semana, das obras de revitalização da antiga escola Acácio de Paula Leite Sampaio, localizada na esquina das ruas Senador Dantas, Sete de Setembro e Braz Cubas, no bairro Vila Nova. O prédio, de três pavimentos e todo ele de concreto, representa uma época ícone da arquitetura brasileira, o brutalismo, que alcançou seu auge nas décadas de 50 a 70, e marca inúmeros outros imóveis país afora. Ao mesmo tempo em que simplifica formas e materiais, desafia sua restauração e usos diferentes daqueles para os quais foram projetados. No caso da Acácio, a iniciativa teve a participação ativa dos vereadores Adilson Júnior e Cacá Teixeira, reeleitos, e Rui Gonzalez, que não se candidatou à reeleição em 2024. A revitalização do prédio da Acácio ganha valor adicional por representar mais um patrimônio restaurado em um corredor que já vem se destacando pelos novos usos. Há um ano, a 50 metros da antiga escola um outro casarão ganhou novo uso depois de restaurado pela iniciativa privada. A Casa das Culturas de Santos, na esquina das ruas Constituição e Sete de Setembro, hoje recebe centenas de artistas para atividades artísticas e culturais que entregam um novo perfil ao local. Além disso, em breve será entregue o novo prédio do Mercado Municipal de Santos, renovado depois de dois anos em obras, movimento que também tem potencial para atrair um outro público, levado pela linha do Veículo Leve sobre Trilhos que terá naquele trecho uma de suas estações. A Prefeitura promete dar novos usos ao antigo mercado, levando atividades diferentes e permanentes. O tempo e as experiências têm provado que restaurar imóveis de valor histórico e cultural não é um processo que se encerra por si só: é preciso ocupá-los de imediato, dar uso aos novos espaços, atrair público e garantir a manutenção constante de suas estruturas. Jaime Lerner, o renomado arquiteto que governou o Estado do Paraná e fez escola sobre renovação urbana em todo o País, cunhou a expressão-símbolo do movimento que se estabelece quando essas construções ganham nova vida em bairros degradados: acupuntura urbana, intervenções pontuais e estratégicas que geram impactos positivos e transformadores no ambiente. O eixo que começa a se formar nos bairros Vila Nova e Paquetá parece ilustrar de forma ainda preliminar o que pode ser a acupuntura urbana em uma das regiões mais degradadas de Santos, mas com grande potencial.