(Pixabay) Uma comparação entre os indicadores dos países dos anos 1980 e 1990 e os dados mais recentes aponta que algumas nações avançaram rapidamente, como China e, com mais sucesso, a Coreia do Sul, hoje considerada desenvolvida. São economias que décadas atrás estavam em nível parecido ao do Brasil, que inegavelmente melhorou seus números, mas a um ritmo inferior. O País elevou seus índices sociais e sofisticou sua economia, porém, sérios atrasos persistem. E assim o Brasil continua com suas debilidades associadas à concentração de renda e uma formação educacional precária. Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou estudo sobre a educação brasileira com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2024. Os números indicam que as metas do Plano Nacional de Educação (PNE), ainda que tenham registrado avanços relevantes, não foram cumpridas. Segundo reportagem do jornal Valor Econômico, objetivos como manter metade das crianças de até 3 anos nas creches, a faixa de 4 e 5 anos e a dos 15 a 17 anos totalmente escolarizadas e o fim do analfabetismo não foram conquistados. O PNE foi prorrogado até dezembro e é provavelmente que não cumpra suas metas. Algumas ficaram próximas de serem atingidas, como 93,4% das crianças dos quatro e cinco anos escolarizadas, mesmo percentual para a faixa de 15 a 17 anos. O analfabetismo caiu para 5,3% no ano passado. Parece um bom percentual, mas não é – na regionalização dos dados, as diferenças entre regiões ricas e pobres são espantosas. Esse problema se amplia nos empobrecidos rincões do País e nas periferias das metrópoles. No Nordeste, os analfabetos são 11,1%. Segundo o Censo de 2022, enquanto em São Caetano do Sul, no ABC, e em um grupo de pequenos municípios gaúchos e catarinenses o analfabetismo fica ao redor de 1%, cinco cidades piauienses registraram 34% – um terço de seus habitantes. O Piauí tem se destacado por melhorar seu nível de ensino e a diversificação de sua economia, mas reflete localmente o problema nacional de não conseguir corrigir suas mazelas. O governo lançou programa para combater a evasão dos jovens do Ensino Médio, algo que vai levar tempo para produzir resultados. Mas há outras dificuldades a serem sanadas, como falta de creches para permitir que milhares de mães possam completar seus estudos e disputar bons empregos. O melhor a fazer é esmiuçar os pontos do PNE que estão atrasados e aproveitar os sucessos locais para aplicá-los nacionalmente. Mas isso é muito difícil pela tradicional inabilidade brasileira de planejar e executar o que foi almejado. Também há muita falta de prioridade, com uma discussão sobre revisar os recursos da educação para cumprir metas fiscais e uma briga feroz por recursos para emendas. São incoerências que explicam os passos curtos que o País dá em seus avanços.