[[legacy_image_192848]] No último domingo, os alertas do meio ambiente vieram de forma bem clara por meio de duas notícias. Na primeira, o MapBiomas divulgou que, em três anos, a devastação das matas causou uma perda de área verde equivalente a do estado do Rio de Janeiro. Também no fim de semana, começaram a chegar relatos mais assustadores sobre o calor na Europa, como as cinco noites seguidas acima de 25°C em Madri. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Nos últimos 100 anos, esses registros noturnos foram verificados apenas 27 vezes na capital espanhola. Na Europa e no Brasil, são fatos que indicam que as iniciativas frente às mudanças climáticas são insuficientes e que a inoperância da sociedade e dos políticos para alterar comportamentos e tomar medidas necessárias poderá exigir grandes investimentos e sacrifícios que muitos países não suportarão cumprir. No caso brasileiro, o desmatamento cresceu 20% no ano passado, considerando os biomas Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal, Caatinga e Pampas. Além disso, a cada segundo são derrubadas 18 árvores na Floresta Amazônica, segundo o Observatório do Clima, uma rede de ONGs, universidades e empresas de tecnologia responsável pelo MapBiomas. De acordo com o levantamento, a agropecuária está relacionada a 96% do avanço sobre as matas, mas há também a participação de garimpo, mineração, expansão urbana e até usinas de energia solar e eólica, curiosamente consideradas redentoras para o meio ambiente. Na Europa, os incêndios de verão são comuns, mas agora coincidem com calor extremo e clima seco, o que ampliou o alcance das chamas e a dificuldade para combatê-las. Mas no continente há o problema grave das temperaturas acima de 40°C por mais dias do que os registros históricos e em regiões onde os picos não passavam de 35°C. No Reino Unido, as recomendações eram para trabalhar em casa ontem e hoje e evitar o transporte público e edifícios que não têm ar-condicionado. A preocupação também é com o custo da energia, pois a necessidade de ventilação em escala não planejada pressiona matrizes energéticas nada sustentáveis, como o carvão, que já estavam sobrecarregadas devido à esperada redução da oferta de gás russo, principalmente na Alemanha. Os governos estão preocupados com queda de popularidade, pois com a inflação e o aumento das contas de luz e combustíveis é previsível que a insatisfação aumente. Há ainda a elevação do número de idosos mortos em decorrência do calor combinado com doenças preexistentes, o que não é inédito, mas agora em centenas conforme cada país. O secretário-geral da ONU, António Guterres, diz que frente às questões climáticas o mundo pode optar por “ação coletiva ou suicídio coletivo”. Entretanto, o embargo à Rússia expôs o quanto resiste a dependência aos combustíveis fósseis e que as fontes limpas ainda estão longe de inverterem as previsões catastróficas para o clima.