(Pixabay) O Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre, que avançou 0,8%, comparado com o período imediatamente anterior (outubro a dezembro), surpreendeu por uma série de dados positivos. O comércio e os serviços cresceram puxados pelos investimentos das empresas, que reagiram após a taxa Selic cair de 13,75% ao ano, em junho de 2023, para 10,5% agora, e pelo consumo das famílias. Já esse grupo foi beneficiado pela queda do desemprego, aumento da renda média e mais gastos públicos (salário mínimo reajustado acima da inflação e injeção nos programas sociais), assim como o crédito ficou mais barato. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Por outro lado, diferente do ano passado, quando o comércio exterior garantiu o crescimento da economia, agora as exportações recuaram e as importações avançaram, reflexo do aumento do consumo. O agronegócio ganhou 11,3%, um ótimo resultado, mas que também foi favorecido pela comparação com um período de produção tradicionalmente mais baixa. Enquanto no quarto trimestre as colheitas que mais pesam são laranja e trigo, de janeiro a março as principais são soja e milho, que dão muito mais receita. Além disso, as cotações também não colaboraram. O ano passado foi marcado pelo primeiro semestre muito forte, concentrado na expansão do agronegócio, e uma segunda etapa do ano de estagnação. Como o primeiro trimestre de 2024 foi de alta do PIB, os economistas ressaltam que houve quebra da tendência de esfriamento. De qualquer forma, há dois pilares para esse reaquecimento mais forte: recuo dos juros e empurrão estatal. Houve ainda o impacto pontual dos precatórios (pagamento de ações perdidas pela União), que estavam represados desde a gestão passado e que foram quitados a partir de novembro, somando R\$ 130 bilhões. O crescimento do País não está totalmente dependente das injeções do governo, mas não há dúvida que esse fator pesa profundamente. Assim, fica fácil concluir que a deterioração das contas públicas é altamente preocupante, e se a União perder fôlego obviamente a economia vai sofrer. Com o aumento do consumo, é natural que a inflação dê sustos, o que segura a queda dos juros. Aliás, o mercado já acredita que o Banco Central deverá realizar apenas mais um corte de 0,25 ponto na Selic neste ano. Há ainda o suspense do impacto das chuvas no Rio Grande do Sul sobre o PIB. Os analistas acham que o PIB do segundo trimestre, por esse motivo, deverá ficar negativo ou crescer no máximo 0,5%. Mas para os próximos meses há expectativa, por incrível que pareça, de seca no Sul e muita chuva no restante do País. Mesmo assim, o consumo das famílias deverá segurar as pontas e a economia chegaria em dezembro com alta anual de 2% pelo menos. Seria mais um resultado fraco, mas parecido com o de muitos outros países do mundo. Porém, o Brasil precisa de muito mais do que isso, pois vem de longo período de crises e estagnação.