(FreePik) Juros altos nos Estados Unidos e catástrofe climática no Rio Grande do Sul trouxeram no primeiro semestre pessimismo aos analistas em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, apesar da melhora contínua de indicadores específicos, como o do desemprego, do comércio e da produção de veículos, estes dois últimos mais especificamente em junho. Apesar de serem criticados por suas análises mais comedidas, os economistas enfrentam períodos de incerteza, tanto da economia como da geopolítica, o que dificulta o acerto. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Porém, o fato é que eles estão melhorando suas apostas para este ano. Pesquisa do jornal O Estado de S, Paulo junto ao setor financeiro mostrou expectativa média de 2,4% para a alta do PIB neste ano, contra 2,2% no levantamento feito em 15 de julho. O Boletim Focus, divulgado toda segunda-feira com as estimativas do mercado, indica 2,23%. Há um mês, esse mesmo estudo apontava 2,15%. Boa parte dessa revisão das apostas está relacionada ao Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de junho, de 1,37%, superando com folga as previsões, abaixo de 1%. O IBC-Br é considerado uma prévia do PIB, portanto, agora indicando que a economia avança mais forte. A expansão acelerada reflete uma recuperação do consumo sustentada pela queda de desemprego, que estava em 14% em 2021 e agora cravou 6,9%, bem próximo dos níveis mais baixos, registrados na primeira gestão de Dilma Rousseff (que depois reverteu esse movimento). O atual governo tem participação importante, com aumento do salário mínimo, consequentemente dos benefícios sociais, acima da inflação. Houve ainda outros movimentos fora do alcance da gestão federal, como a disparada da concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência mais pobres, e precatórios (indenizações pagas pela União) represados na administração Bolsonaro e que precisam ser quitados. No último dia 15 ocorreu o vencimento de título do Tesouro Direto, liberando R\$ 260 bilhões aos investidores, o que ainda vai refletir nas pesquisas. O setor privado tem sua participação, principalmente por manter as contratações, A construção civil, um dos segmentos aquecidos, já está com dificuldade para encontrar trabalhadores mais especializados. Mas esse aquecimento estimula o Banco Central a voltar a subir os juros, talvez em 0,25 ponto percentual em setembro, porque a inflação está quase acima do teto anual de sua meta de 4,5%. Por outro lado, no próximo mês, os EUA devem começar a reduzir suas taxas, o que estimula o fluxo de investimentos para emergentes como o Brasil. De qualquer forma, não deve haver grande ilusão com o PIB. O governo segue gastando muito, o que alimenta a subida de preços pela pressão da demanda. Isso exige muita observação se os cortes realmente terão algum efeito nas contas públicas, pois fica sempre o risco de se frustrar no médio prazo.