[[legacy_image_354765]] O conceito já existe há anos e muito já se falou sobre ele como fator decisivo e relevante no cenário ambiental do planeta, especialmente no atual momento em que as emergências climáticas já se fazem sentir em todos os continentes. Economia circular associa desenvolvimento econômico a um melhor uso de recursos naturais, por meio de novos modelos de negócios e da otimização nos processos de fabricação com menor dependência de matéria-prima virgem, priorizando insumos mais duráveis, recicláveis e renováveis. Assim, a cadeia da reciclagem dentro dos municípios se torna imprescindível, incluindo educação ambiental permanente, infraestrutura adequada e parcerias com todos os agentes que possam somar nessa empreitada. Entre os parceiros de peso estão as cooperativas de trabalhadores da reciclagem, que fazem dinheiro em uma área desafiadora e sujeita aos preços do mercado, mas que também oferecem emprego e renda a centenas de homens e mulheres com menor grau de instrução, em geral em situação de alta vulnerabilidade social. Na Baixada Santista – e no restante do País de maneira em geral – parece não haver sintonia entre os agentes públicos municipais e as cooperativas, que se queixam com razão de falta de estrutura adequada para o trabalho e, principalmente, de remuneração insuficiente para cobrir todos os custos operacionais. A ideia vigente é de que a venda dos recicláveis deve pagar os custos e remunerar os cooperados, porém, na bolsa de valores dos materiais, é módico o valor que se paga pelos produtos, na média, R\$ 0,15 por quilo nos menos valorizados. Aumentar a reciclagem é fomentar a economia circular, é preservar a matéria-prima virgem, é educar para a consciência ambiental e é, também, estender a vida útil dos aterros sanitários, na medida em que se tira dessa destinação a maior parte daquilo que se produz no dia a dia das famílias. Atualmente, a reciclagem representa pouco mais de 3% desse total nas cidades, com pouca variação para cima nos municípios melhor estruturados, e onde a cadeia da reciclagem envolve poder público, escolas, cooperados, universidades e entidades. O Brasil deu um passo significativo em 2022, ao publicar o Decreto 11.043, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, em sintonia com o Marco Legal do Saneamento. Além de implantar as metas para atendimento de diversos pontos da lei, o Plano determina o aumento crescente da recuperação de resíduos, estabelecendo uma meta de 50% de aproveitamento em 20 anos. Assim, metade do lixo gerado passará a ser valorizado por meio da reciclagem, compostagem, biodigestão e recuperação energética, o que representa um grande avanço se comparado ao cenário atual. Dois anos após a publicação da lei, e mesmo com todo cenário ambiental que relaciona o lixo às questões climáticas, o País parece ainda muito distante de dar os primeiros passos nessa jornada sustentável, e tão necessária.