[[legacy_image_305698]] O furto de metralhadoras de alto poder de destruição armazenadas na unidade do Exército, em Barueri (SP) e os quatro policiais civis suspeitos de venderem grande quantidade de maconha para traficantes são casos que tiram qualquer dúvida sobre o atual patamar da criminalidade no País. Os bandidos se mostram reunidos em organizações muito maiores, com capilaridade pelo Brasil, envolvidas em ações audaciosas e de maior volume, de rígido comando hierárquico e com possibilidade de contaminar as corporações da segurança pública. Esses grupos, geralmente comandados de dentro das prisões, o que já tem algumas décadas, foram devidamente investigados por especialistas em segurança pública e pelos próprios organismos de Estado, mas o crescimento progressivo das organizações criminosas parece ser acompanhado pelos governos sem capacidade de reação. Fala-se muito que o Brasil logo atingirá o nível do México e da Colômbia, onde cartéis da droga são altamente violentos, ricos e influentes no meio político, atingindo um ponto em que contê-los se torna extremamente difícil. Além das já conhecidas duas facções que lideram o crime em São Paulo e Rio de Janeiro, há outras siglas se espalhando pelo Nordeste e Norte. Acompanhando o noticiário dos últimos anos, nota-se que a criminalidade muda o tipo da ação, como roubo a banco e de cargas de caminhões e trens a explosão de caixas eletrônicos e sequestros, conforme as polícias vão identificando suas estratégias e regiões de atuação. As explosõesde violência migram de uma capital aoutra, como cidades do Nordeste e Norte, ou PortoAlegre e cidades médias do interior, e agora avança de forma assustadora na Bahia. Nos últimos dias, o Riode Janeiro recebeu efetivo da Força Nacional ePolíciaRodoviária Federal. Experiências anteriores indicam que não se deve contar com grandes resultados. Aliás, os detalhes do caso dos policiais civis suspeitos de venderem 16 toneladas de maconha para bandidos da Gardênia Azul, região ondeháuma associação entre milícia e tráfico, são impressionantes, como a droga ter sido levada para dentro de unidade policial para ser negociada. Duas iniciativas recentes poderiam até ter efeitos positivos, mas não se sabe se elas serão conduzidas no longo prazo ou se durarão até a próxima mudança de governo. Uma delas é um plano federal de segurança nacional, que o governo ainda precisa explicar melhor e desenvolvê-lo, e a outra, a exigência do Supremo Tribunal Federal (STF) para que o Executivo desenvolva um programa para as prisões, palco da organização das facções. O diagnóstico da violência já foi feito no País, mas agora é preciso que as autoridades federais, estaduais e municipais mais o Judiciário aprimorem o trabalho em conjunto e com eficiência para que os resultados comecem a aparecer de forma gradual. Que não sejam medidas eleitoreiras, que, no fim das contas, não conseguem reduzir a violência.