[[legacy_image_98761]] A queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,1% no segundo trimestre, em comparação ao período imediatamente anterior (janeiro a março), foi uma decepção – o risco é de que o desânimo por falta de perspectivas contamine tanto o empreendedor como o consumidor. Espera-se que a divulgação desse resultado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sirva como um alerta para o governo e o ministro da Economia, Paulo Guedes, que precisam acelerar o passo para o País não patinar. Uma retomada forte era dada como certa e não se sabe mais se virá. A projeção dos analistas das instituições financeiras é de avanço do PIB de 5% neste ano e de 2% em 2022, nada impressionante em relação a outros países, mas que sinaliza aumento da receita do governo, redução do desemprego e melhora do faturamento das empresas. Mas os dados de ontem levaram vários economistas a rebaixar suas apostas, o que pode derrubar a expectativa de investimento na atividade produtiva e a disposição para o consumo. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Guedes disse que a economia se recupera em V (queda profunda seguida de alta forte), o que não está errado, considerando que o País se reabre conforme a vacinação avança. Entretanto, suspeita-se da qualidade desse V e da real condição do País sustentá-lo. Os eventos que agem sobre a economia estão tão desfavoráveis que o pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (Fipe) e professor da USP Simão Silber, em entrevista ao Valor, disse que não dá para descartar uma recessão no próximo ano. A análise dele é de que o recuo do agronegócio e da indústria de abril a junho já era esperado. O primeiro sofreu o impacto do clima (geadas e seca) e o segundo a falta de matérias-primas e componentes. Mas havia uma certeza de que o setor de serviços, que cresceu apenas 0,7%, daria um salto bem maior devido às vacinas. O baixo consumo das famílias também surpreendeu os economistas. São resultados impactados por uma inflação persistente e disseminada associada ao desemprego elevado, gerando uma retração acentuada nas vendas do comércio. A boa notícia é que os preços dos alimentos começaram a parar de subir, apesar de permanecerem nas alturas. Por outro lado, não há expectativa animadora em relação às chuvas, mantendo o risco de racionamento, um problema que hoje poderia preocupar menos se medidas mais efetivas de preservação das hidrelétricas tivessem sido tomadas há pelo menos seis meses. Há também a tensão política entre os poderes, que nada colabora para a economia. O conflito trava as negociações com o Legislativo e a antecipação da disputa eleitoral dificulta as votações. Guedes tem poucas semanas para aprovar seus programas – na quarta-feira, o Senado rejeitou sua ideia de gerar 2 milhões de empregos por meio da flexibilização das normas trabalhistas. É preciso correr contra o tempo para não contaminar os indicadores econômicos de 2022.